20/05/08

metamorfoses

Estou fazendo testes com as cores do fundo do blog. Descobri que em cada computador a cor fica diferente. Tinha escolhido um laranjinha "fofo", mas reparei que o mesmo se transforma em um tom de goiaba lavada na tela de alguns computadores.

Continuarei tentando, porque sou teimosa mansa... um dia encontro a cor dos meus sonhos. Ou mudarei o post-it aí do lado para: "em obras, para sempre"!

descobertas

Na blogosfera quem fica parado desactiva-se, desactualiza-se, praticamente perde o bonde. A quantidade de blogs é descomunal. Sou fiel aos blogs-amigos, mas não deixo de perambular por aí em busca de tesouros.

Faz algum tempo que descobri o blog de um brasileiro cosmopolita que morou entre outros lugares, na Cataluña: em trânsito.

Atualmente Flávio, o autor do blog, mora em Shangai. A visão que nos passa da cidade e a maneira como descreve suas vivências, viagens e descobertas são muito interessantes, sem falar na qualidade das imagens que ilustram seus textos.

Recomendo a leitura dos posts fresquinhos da sua última aventura: Japão. Dá uma vontade danada de arrumar a mala e zarpar rumo à terra do sol nascente! Pena que não é o tipo de viagem fácil de programar!

17/05/08

toda pessoa tem um nome

A Denise do super·pop·blog Síndrome de Estocolmo ressuscitou um post interessante em que nos pergunta qual é a história do nosso nome. Comecei a responder e me dei conta de que esta é "a" pergunta que sempre escutei e imagino que continuarei a escutar pelo resto da minha vida.

Tenho uma resposta para cada tipo de interlocutor.

A mais simples reservada para os chatos de plantão: meus pais conheceram uma pessoa que também perambulava no mundo com este nome diferente.

O complemento da resposta para ouvidos mais atentos: eles gostaram e resolveram ser diferentes.

O detalhe da resposta para pessoas com sentido de humor: reza a lenda que é uma mistura diferente de Antonio com Marlene.

A conclusão para os mais curiosos ou futuros amigos: já me acostumei com o dito cujo, mas tive que passar por algumas fases rebeldes. Hoje em dia até gosto! Sempre me dizem por aí: é bem diferente! Então penso, logo existo: é exatamente como me sinto, diferente!

feriadão

::: Vontade grande de ver o mar, com sol ou com chuva. Nublado ou ensolarado. Só quem viveu toda a vida perto dele sabe exatamente do que estou falando. Não é um desejo de férias ou de viagem com ida e volta marcadas. É falta de mar cotidiano. Mar café com leite, mar arroz com feijão, mar chopp gelado, mar banana prata, mar água de côco, mar de pequenas e grandes mudanças todos os dias.

:::
Outra vez. Me desconcentro fazendo coisas que não devia. As que devia estão esperando na fila tranquilas, sem pressa. Fiz lista de espera. Não consigo resolver uma coisa de cada vez.

::: Penso naqueles chineses todos soterrados, destruídos, derrubados e me dá uma tristeza infinita. Vejo as imagens e me sinto tão pequena, tão inútil.

::: Vi na tv esta semana o excelente In the Bedroom (2001) de Todd Field, com Marisa Tomey e Sissy Spacek. Me apaixonei por Camden, na costa do estado de Maine. Uma cidade com porto, marítima, chuvosa, verde e com uma luz especial que foi muito bem explorada no filme.

::: Silêncio, meu amor está dormindo aqui do lado, tranquilo e relaxado enquanto a tv não se cansa de falar sozinha.

egos & trips

Acabei de ver um filme que ganhou o Prêmio Goya deste ano e me pergunto: será que sou anormal ou os jurados andam completamente loucos. "La soledad", de Jaime Rosales é um filme difícil, seco, áspero, chato, demorado e sem sentido. Tenta explorar a solidão, mas se perde na monotonia de vidas e diálogos vazios. Podia chamar-se egos, porque em realidade parece que o diretor confunde solidão com egocentrismo. Me pergunto se todos os elogios que fizeram a este filme são sinceros ou se a galera viajou na maionese. Ou será que estou ficando insensível?

16/05/08

hein?

Isso aqui está paradeira, mas enquanto isso minha cabeça e a vida fervem. Sem fogo gente como eu vira fumaça.

15/05/08

...

Várias escritos começados, mas outros assuntos me distraem e contribuem para aumentar minha desconcentração bloguera.

13/05/08

provocação



Puerta del Sol, sexta-feira, por volta das 3 da tarde. Juro pelas barbas do meu torero que apenas estava olhando para os divertidos mariachis, mas fui convocada pelas duas testemunhas oculares que me acompanhavam:
- Anlene, viu isso? Vai deixar passar?
- É pra já, respondi rindo.
- Quer que eu faça a foto?
- Pode deixar, nem preciso de ajuda: estou acostumada!

Alguém pode me explicar que modelito é este? Tenho algumas hipótesis e/ou perguntas: Pijama? Fantasia de Teletubie? Promessa para os dia das mães? Ataque de colormania? Camuflagem para a Ilha da Fantasia?

11/05/08

sab = dom

Pequenas tarefas feitas com a tranqulidade necessária. Experimentar uma nova receita, aprofundar a leitura deste livro hipnótico que leio pela segunda vez. Não ver o tempo passar. Conversar por mais de duas horas com a querida amiga-irmã-confidente que está lá na cidade maravilha purgatório da beleza e do caos. Nem sentir o tempo passar.

Aliás, não cuidar das plantas, mas ter disposição para dormir e me desligar do mundo. Tudo pode esperar.

Amanhã despertar descansada para recomeçar a girar a roda viva.

09/05/08

las hermanas vespitas



Adoro Vespas. A primeira vez que estive em Madrid, ha máis de 10 anos atrás, havia muitas scooters e motos. Era engraçado esperar o sinal abrir nas grandes avenidas para ver aquele monte de motos saindo ao mesmo tempo. Acho que hoje há menos. Talvez as pessoas preferiram os carros e estas motos enormes.

Estas duas preciosidades estavam estacionadas na porta da Casa do Brasil um dia destes. Como sempre, não resisti. Adorei o tom amarelo ovo destas vespitas.

08/05/08

plano a



Não sou o tipo de pessoa saudosista, que não pode viver sem isso ou aquilo da terrinha. Não sofro por estar longe do Brasil. Sinto falta do carinho da minha família querida e dos bons amigos, mas eles sabem que aqui sou feliz e que escolhi o que era melhor pra mim.

Isso não impede que sinta saudades de algumas coisas em particular. Há dias em que sou invadida repentinamente por algumas lembranças. Deixo-me levar por instantes. Me vejo em certos lugares, caminhando por ruas familiares, integrada -- e entregada -- a outro mundo.

O Rio é meu porto. É cidade casa-abraço-aconchego. Começo e fim. É a cidade para onde penso em voltar um dia, não sei se muito distante ou muito próximo.

Caso volte quando estiver bem velhinha, vou passear pelas ruas de Copacabana e Ipanema. Parando aqui e ali para olhar as modas e tomar um choppinho gelado em pé mesmo, na calçada. Por isso me cuido muito, física e mentalmente. Não quero perder a flexibilidade e a independência na velhice.

Até lá também espero continuar viciada em observar as pessoas. Toda esta gente que passa por mim com pressa ou simplesmente aproveitando como eu mais um dia bonito na cidade da qual faz parte com o corpo e a alma.

futuro do pretérito mais-que-imperfeito



Hoje pavão, amanhã espanador.

4 x 1



No llores por mí, Barcelona...

07/05/08

pre·facio

Vengo de no sé dónde
Soy no sé quién
Muero no sé cuando
Voy a no sé dónde
Me asombro de estar tan alegre.

Epitafio, Martinus Von Biberach, 1498.

06/05/08

nargis



Las cifras de la tragedia causada en Myanmar por el ciclón Nargis aumentan día a día de forma exponencial. La televisión estatal MRTV, controlada por la Junta militar que gobierna la antigua Birmania desde hace 46 años, ha informado de que son ya más de 22.500 los muertos y 41.000 los desaparecidos por el azote de la enorme tormenta este fin de semana. El Nargis se cebó especialmente en la zona arrocera del delta del Irrawaddy, una vez conocido como el tazón de arroz de Asia, cuando Birmania era el mayor exportador del mundo de este cereal. ELPAIS.com

mãos

05/05/08

for example

*


Alguns espanhóis são "bem" assim (veja bem, não é generalização geral e óbvia). Experimente usar uma palavra qualquer em inglês, com a pronuncia correta e de forma natural, no meio de uma conversa. A reação é imediata: te olham como se você fosse o verdadeiro ET de Varginha.

Hoje comentei que tinha assitido The Bourne Supremacy (aqui traduzido como "El mito de Bourne") na tv este fim de semana e recebi olhares fulminantemente irônicos.

Não perdem por esperar. Ainda não ouviram minha pronuncia perfeita para o mantra zen Matt Damon.

* Na imagem, o mantra em plena ação numa calle de Madrid.

idiossincrasia sem graça

Antes de ingerir a superdose de cafeína matinal minhas reações são imprecisas, desconexas e lentas, não necessariamente nesta ordem.

04/05/08

2 tempos

Sin que en vida me sea posible ya volver porque al tiempo no se le da la vuelta como el mundo.*

Acabei de ler Real Sitio ontem. O encontrei por acaso, perdido em uma das estantes aqui de casa. Se trata de um dos romances que faz parte da trilogia Círculos del tiempo, de José Luis Sampedro. Achei que foi uma coincidência bem coincidente, já que faço parte de um projeto de pesquisa sobre a história do Real Sitio de Aranjuez. A coisa não ficou por aí. Minha participação neste projeto está mais ou menos restringida ao século XIX e princípios do XX, ou seja, ao período de consolidação do Real Sitio tal como o conhecemos hoje. Atualmente estou trabalhando com documentação do final século XVIII, já que a passagem para o início do século XIX é muito importante na história da monarquia espanhola (invasão francesa e Guerra de la Independencia). Para encurtar o conto: o livro de Sampedro também se desenvolve no século XIX e princípios do século XX.

É um romance interessante, que exigiu fôlego, mas não se trata uma obra prima. Diverte e distrai, mas não deixa rastros mentais potentes.

Há duas histórias que acontecem paralelamente, em capítulos alternados, em séculos diferentes. O autor não explorou de maneira convincente a relação entre os personagens destas duas épocas. Esta falha qualquer leitor mais atento não perdoa. Em alguns momentos preferi ler toda a parte do século XIX, já que não havia problema em fazê-lo.

O que mais gostei deste livro foi a possibilidade de fazer alguns exercícios de contextualização de certos documentos que estou lendo na pesquisa. A história se escreve por meio da nossa capacidade de imaginar e reconstruir uma outra época com ajuda de documentos, pistas, suspeitas, relatos, fotografias, pinturas e, porque não, da literatura.

Gostei dos personagens cujas vidas e trajetórias percorrem os espaços de uma cidade que começo a conhecer de outra maneira. Isso me ajuda a imaginar o tipo de história que escreverei em breve.

* José Luiz Sampedro, Real Sitio, 1993.

prima·ver

Esqueci minha maquineta-xereta digital na casa de um casal amigo. Sinto-me estranha, como se faltasse uma parte importante do meu corpo. Será um vício? Ou será que sofro uma espécie de dependência foto-digital-compulsiva?

Fui ver como anda a primavera na "finca" da vizinhança. Fui sem maquineta e tive que guardar as imagens na memória Ram·sés mesmo.

Vimos jaras, lavandas, tomillos, amapolas, margaridinhas brancas e amarelas, flores com cheiro de aniz, entre muitas outras. O campo está em plena floração. Ver o mato todo verdinho é uma delícia, principalmente porque esta visão dura pouco tempo. Basta uma semana de sol de maio para que todo este verde comece a mudar de cor: vai amarelando e adquire a tradicional cor de palha seca que vemos durante quase todo o ano.

Hoje, como sempre, também vimos muitos coelhos e pássaros, mas pela primeira vez vi um "gato montés". Bom, era meio "gato montés". Um pequeno animal cruzou meu caminho e desapareceu no meio do mato. Não pensem bobagens, por favor. Estou falando de felinos de verdade e não de "gatos" da espécie humana.

Já sei por onde circula o bichano e espero ter o prazer de vê-lo outra vez com mais calma!