Sin que en vida me sea posible ya volver porque al tiempo no se le da la vuelta como el mundo.*
Acabei de ler Real Sitio ontem. O encontrei por acaso, perdido em uma das estantes aqui de casa. Se trata de um dos romances que faz parte da trilogia Círculos del tiempo, de José Luis Sampedro. Achei que foi uma coincidência bem coincidente, já que faço parte de um projeto de pesquisa sobre a história do Real Sitio de Aranjuez. A coisa não ficou por aí. Minha participação neste projeto está mais ou menos restringida ao século XIX e princípios do XX, ou seja, ao período de consolidação do Real Sitio tal como o conhecemos hoje. Atualmente estou trabalhando com documentação do final século XVIII, já que a passagem para o início do século XIX é muito importante na história da monarquia espanhola (invasão francesa e Guerra de la Independencia). Para encurtar o conto: o livro de Sampedro também se desenvolve no século XIX e princípios do século XX.
É um romance interessante, que exigiu fôlego, mas não se trata uma obra prima. Diverte e distrai, mas não deixa rastros mentais potentes.
Há duas histórias que acontecem paralelamente, em capítulos alternados, em séculos diferentes. O autor não explorou de maneira convincente a relação entre os personagens destas duas épocas. Esta falha qualquer leitor mais atento não perdoa. Em alguns momentos preferi ler toda a parte do século XIX, já que não havia problema em fazê-lo.
O que mais gostei deste livro foi a possibilidade de fazer alguns exercícios de contextualização de certos documentos que estou lendo na pesquisa. A história se escreve por meio da nossa capacidade de imaginar e reconstruir uma outra época com ajuda de documentos, pistas, suspeitas, relatos, fotografias, pinturas e, porque não, da literatura.
Gostei dos personagens cujas vidas e trajetórias percorrem os espaços de uma cidade que começo a conhecer de outra maneira. Isso me ajuda a imaginar o tipo de história que escreverei em breve.
* José Luiz Sampedro, Real Sitio, 1993.