31.10.06

sem

Nada de novo. A vida volta aos trilhos sem que um desejado tempo de mudanças se instaure definitivamente. Apenas faz rondas enquanto o sono teima em não querer diluir os restos de algum dia estranho que ainda não acabou. Então me lembro que o guarda noturno também fazia rondas de bicicleta e apito na cidade que assistiu ao fim da minha infância. Pedalava tranquilo por ruas vazias e inocentes. Às vezes me despertava o súbito apito. Imaginava incompreensíveis diálogos entre o homem solitário da bicicleta e o sonâmbulo que também dava voltas por necessidade ou vício.

O fim da infância passou muito rápido, levou o guarda noturno e deixou outras memórias invisíveis.

Me levanto várias vezes no meio de sonhos intermináveis. Falta algo, mas ignoro o que seja. Não sofro. Invento pequenas tarefas que dão cor aos dias. Hoje isso, amanhã outra coisa. Vou assim riscando linhas de uma lista imaginária.

Já sei. A escrita melancólica afasta os olhos curiosos que apenas buscam histórias românticas que não sei contar.

26.10.06

brinquedo novo



Esta semana no job 2 rolou uma ótima surpresa. A chegada do Cintiq 21UX da Wacon, um monitor de 21" cuja tela também pode ser usada para desenhar e editar imagens com um lápiz especial. Além de suas mil e uma utilidades, que ainda não tive tempo de aprender a usar, o tamanho e a qualidade da tela são impressionantes. Vai ser difícil ter vontade de abandoná-la nas próximas semanas. Quem sabe agora tomo vergonha e mudo o endereço e a cara do blog?

ritornare alla pagina precedente

Voltar provoca sensações estranhas. O tempo se alarga quando caímos na rotina atropeladamente, sem estágios intermediários. Ontem lá, hoje aqui. Ontem já é passado distante. Aqui o bicho pega.

español para turistas...

... y inmigrantes despistados

"Lo primero es ¡Buenos días! Luego me puedes preguntar todo lo que quieras", (del vendedor de lotería de la boca del Metro Ópera).

Resumen de la lección: un poquito de por favor es fundamental antes, durante y después.

23.10.06

volviendo

Una parte de mí ya está aquí. Me despierto, me levanto, salgo de casa. Camino por las calles mojadas. La lluvia del otoño ha traído el bien más deseado por todos: el agua. Hubo cambios sutiles en la ciudad que vive en una eterna construcción. Estaciones, túneles, aceras, fachadas... pero no hay un final previsible. Hace un poco más de frío. La noche invadió las mañanas. Me siento muy bien por volver a casa después del maratón de gentes y ciudades de las ultimas semanas.

Otra parte de mí todavía se resiente de los cambios del clima, de las horas, de los ideales de la vida de todos los días. Tropiezo en las cosas que todavía se encuentran fuera de sitio en mi casa. Ignoro mis plantas tristes y carentes de atención. No tengo tiempo para divagar, escribir, soñar. Vuelvo otra vez con planes. Tengo sed de cambios y algunos proyectos aplazados miles de veces. Por hora sólo ellos sólo pueden dar innumerables vueltas en mi cabeza. ¿Será miedo, pereza o simplemente ganas de vivir sin riesgos?

Viajar provoca rupturas y alternancias en el estado de espíritu. Veo más claro lo que todavía está muy confuso. No veo nada claro lo que se presenta con perfecta definición.

Lo cierto es que aquí es mi ahora y el ya es flexible. Puede esperar que finalmente vuelva la otra parte de mí que todavía debe estar algo lejos, más allá.

21.10.06

intransitivo

Podia acontecer um milagre, alguma coisa que alterasse a ordem inexorável dos acontecimentos. Uma dobra misteriosa que transformasse o tempo, que adiasse o fim da viagem. Sem susto nem tragédias. Volto com a sensação de que ficou muita coisa pra trás. Não vi todos os amigos, não resolvi váiras pendências, não fui à praia, nao bebi muita água de côco, não caminhei tranquila pela cidade. Tinha pressa e o clima não ajudou. Foram muitos dias nublados e com chuva contra poucos de sol e céu aberto. Ficará para a próxima. Tudo o que faltou também. Hoje me despeço com esta estranha sensação de que o tempo não respeita relógio e calendarios.

18.10.06

r i o

Abandonei o blog temporariamente. Não consigo escrever aqui. Minha cabeça está no ritmo de 300 rotações por minuto, aproximadamente. Adoro estar na minha cidade, mas sofro com a falta de tempo, com a velocidade das mudanças: hoje aqui, amanhã lá.

11.10.06

estou viva

São Paulo, cidade vertiginosa, caótica, mutante maravilha. Ruas, carros, gente, lojas, edifícios sem fim na cidade sem fim, sem limites. Bairros que morrem. Ruínas em construção ainda como viu Lévi-Strauss. Tudo é novo, mas também já é ruína.

Não dá tempo pra nada. Tento reconhecer ruas, bairros, edifícios, cantinhos... Em dois anos a cidade é outra, mas ainda é a mesma.

Fui ao cinema. Vi "Cinema, aspirinas e urubus" (Brasil, 2005). Gostei muito, mas não dá posso refletir sobre ele com palavras porque falta tempo. Me tocou fundo. É só.

Hoje estive na FAU-USP. Lembrei de outros tempos. Quando morei por aqui no final dos anos 80. Naquela época andava meio perdida. Tudo se amplificava na cidade grande, anônima e fria, principalmente a dor e a solidão.

Hoje fui à Bienal. Foi uma visita rápida, amanhã volto com mais calma. É um milagre que um evento desta envergadura seja gratuito, aberto, sem restrições aos visitantes. Há muita segurança, mas não nos revistam com suspeitas de que levamos bombas nas bolsas e mochilas. Está bem organizada, embora se note que a arte que se mostra anda redundante. Há uma certa precariedade, um excesso de coisas amontoadas nas obras apresentadas. Juntar coisas. Fazer salinhas escuras que exigem atenção exclusiva. Gosto de chamá-las de salas-útero. Muitos filminhos e fotos e vídeos. Imagens por todos os lados. A pintura morreu? Para os curadores da Bienal parece que sim. Esculturas ainda se aceitam, mas são todas como imensas colagens-construções de coisas ordenadas ou apresentadas de forma caótica. Falo precipitadamente. É sempre bom ir à Bienal, ver o que se mostra, refletir sobre as escolhas daqueles que organizam o evento. Sim, é sempre bom lembrar que há pessoas que escolhem o que será apresentado. É arte de artistas que estas pessoas elegeram como representativas do que eles acreditam ser arte. Mas existem outros olhares e outros artistas, muitos outros porque o mundo da arte é imenso...

Tirei muitas fotos. Amanhã vai ser outro dia.

Ainda não tive tempo de me perder pela cidade. Há várias coisas que quero rever ou conhecer. Gosto de andar, mas aqui reinam os veículos motorizados. Aliás, o carro é o rei em todos os lugares que estive, mas São Paulo é especialmente motorizada. Talvez existam bairros em que as pessoas caminhem pelas ruas, mas não circulei por eles até agora. Todos os carros têm vidros negros, como se fossem carros que se movem sozinhos, sem motoristas. É o medo, me contam. Vi o mesmo no Rio e em Vitória. O medo agora se veste de negro. O traje de guerra das grades que vestem janelas, portarias e entradas continua firme e forte: segurança e medo são palavras comuns.

Desigualdade, separação, exibicionismo, endeusamento da riqueza. Todos querem luxo, exibir luxo, seja ele discreto ou ostensivo. Todos dizem EUROPA com ar de falsa inferioridade. Há uma necessidade de acreditar que LÁ é melhor, que existe algo mais bonito, um lugar com o qual se possa sonhar. A perfeição. Aqui reina a diferença abismal entre ricos e pobres. A classe média no meio parece recheio de sanduíche. A vida é cara, vergonhosamente cara. Em muitos aspectos, mais cara que algumas cidades caras da Espanha. Mas todos dizem que lá a moeda é forte e que o dinherio de lá compra mais. Uma banana a mais, talvez. Aqui a moeda fraca multiplica os preços de tudo de forma assustadora e se fortalece pela multiplicação. Me explicam o que já sei: a carga tributária é alta, mas isso não explica que determinados produtos sejam excessivamente caros.

Me falta tempo para escrever, para gravar certas frases que escuto, certos detalhes que vejo... Sim, voltar provoca reações estranhas. Uma parte quer ficar, outra já não encontra um lugar no qual a palavra lar possa ser escrita. Ainda me sinto mais em casa nas ruas do Rio, mas me pergunto até quando...

Tudo parece estranhamente familiar e distinto.

4.10.06

!

Estou viva, mas não consigo escrever aqui. Agora vou sair correndo para fazer uma "provinha" de múltipla escolha para renovar minha carteira de motorista. Depois 3 meninas vão passar o dia comigo. Minha adoráveis sobrinhas: Alice, Amanda e Pietra.

Volto quando consiga encontrar um tempinho...
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