30.1.07

lengua

Hay momentos en que las personas se encuentran y actúan como si el futuro no existiera. Extranjeros viviendo en una tierra extranjera. Extranjeros des·estrañados en tierra ajena y, por veces, indómita.

En la fría mañana del primero invierno del calentamiento global cinco brasileños charlaban y reían tranquilos. En la mañana que todavía era un resto de noche. Cada uno pertenecía a un punto alejado del gran mapa de Brasil. Sin embargo, se hablaba una misma lengua. La misma melódica lengua de un inmenso y complejo país sin hendiduras nacionalistas o deseos independentistas que os separe.

Somos uno. Hablamos la misma lengua que ha sido capaz de unificarse a pesar de los distintos trazos culturales, acentos, músicas, modos y maneras de vivir la vida esparcidos en una geografía de continente. En lo fundamental somos todos brasileños. Nos separan la miseria, la ignorancia, la injusticia de una sociedad dividida en pocos ricos, medios ricos y un sinfín de pobres. Pero allí estábamos cinco brasileños sin nombres, hermanados por el anonimato de una hermosa lengua. Hablábamos del calor de nuestra tierra, de lo que nos identifica como pueblo, de nuestras añoranzas. En este momento sin tiempo fuimos solidarios, casi fraternos. Sin ilusiones ni promesas. Fuimos como hermanos distantes que se encuentran en una burbuja de sol y calor. Después cada un partió y siguió su propio camino. A lo mejor, jamás volverán a encontrarse en una mañana fría de invierno.

primeiro tempo

Fila sim, encrenca não. Foi dada a largada para a operação papelada. Sabe aquele gostinho do dever cumprido? Até agora só deu pra sentir metade do gostinho. A epopéia têm vários capítulos.

29.1.07

fim·de | início·de

Foi doméstico total. Papelada em dia, mesa arrumada, roupas na máquina, gavetas que se abrem, arruma daqui, arruma de lá. Pausa para abraçar e ser abraçada, ler, ouvir, falar, sonhar... Só casa, casita bem quentinha, sem sentir cheiro de rua. Minto, sábado fui ali ao super comprar coisitas, mas voltei rápido. Fiz quase nada, mas parece que foi tudo. Estou cansada.

A semana vai ser de burro·cracias várias. Só de pensar me dá pânico-paúra-aflição, mas isso passa logo que aperto o enter. Detesto secretárias, atendentes e funcionários eternamente insatisfeitos e cansados: porque não mudam de vida? Das filas tenho alergia e da mala leche verdadeira aversão. Parece que sempre sou sorteada com fila grande que anda devagar e funcionário besta. Semana passada tentei começar, mas voltei ao ponto de partida depois de descobrir um "pobrema". Tipo grave. Me assustei, aliás, quase tive um piripaque tíltico. Fui salva por dois telefonemas estratégicos. É bom ser amiga e ter amigos, mas ainda preciso de positive vibrations em doses cavalares. Pense em mim. Agradeço antecipadamente.

Acontece que há problemas e problemas. Alguns mais, outro menos. Vou contar em linguagem cifrada, do jeito que muita gente não gosta. Lo siento, pero tô nem aí. É um saco burro·cracia empacada ou prestes a... Dizem que pode ser coisa de bruxas. Então penso, yo no creo, pero que las hay... Há de muitos tipos, umas são bem visíveis, outras se escondem em lugares surpreendentes. Não, neste caso no hay brujas. São armadilhas de fabricação própria. Armas de autodestruição massiva. Esquecimento, ato falho, falta de coragem, preguiça, branco total. Em vez de fazer assim, fiz assado, frito e cozinhado. Resumo da ópera bufa, sobrou tudo só pra mim. Tive que mastigar e engolir a coisa, sem reclamar. Quem mandou escolher o jeito mais complicado e ainda por cima saltar etapas? E foi aí que me deu preguiça de continuar. Depois o tempo da marcha lenta passou, o novo ano começou e fui à luta companheiro, porque quem fica parado é poste.

Tudo sempre se resolve. Pode demorar mais ou menos, mas o enrolo se desenrola. Ainda bem. A idade, além das rugas e daqueles pneuzinhos indesejáveis, traz uma espécie de resignação ativa, que muita gente prefere chamar de tranquilidade. No stress. Mais cedo ou mais tarde o pepino-abacaxildo se resolve. De um jeito ou de outro, sabe como é? O problema é o tempo e o desgaste, mas até nisso a tal maturidade nos ajuda. Ponderamos depois do primeiro impacto: se é para esperar, tudo bem, esperamos cantando. E contra a mala leche? 1. desistir, jamais de la vie, 2. é salve-salve com muita simpatia e 3. gentileza gera gentileza, mas com atitude firme: falar claro e ser persistente·insistente light. Faz diferença.

25.1.07

...34 36 38 40 42 44 46...



Os espanhóis vão dar mais um bom exemplo para o mundo da moda. Depois de dar um basta ao excesso de magricelas nos desfiles de moda, agora o alvo são os tamanhos das peças. Quem mora por aqui sabe que muitas vezes as roupas têm números absurdos. Já cansei de experimentar roupas com tamanho 34 ou 36, quando na verdade deveriam ser 38 ou 40. O tamanho 38 que usava no Brasil aqui corresponde ao 40 ou 42. Há problemas piores: muita gente não consegue encontrar roupas nas principais redes de lojas porque não existe nada acima do 44. Parece que a partir deste ano isso vai começar a mudar.

Esta semana o Ministério da Saúde divulgou que foi assinado um acordo com os principais designers e fabricantes de roupas para unificar os tamanhos oferecidos. Assim se pretende evitar que cada marca tenha tamanhos diferentes para um mesmo número, coisa que todos estão cansados de comprovar. O número 46 deixará de ser especial e passará a fazer parte de todas as coleções. Os manequins que mostram as roupas nas vitrines também terão regras: não poderão estar abaixo do 38. Além disso, e o que acho mais bacana, é que vão fazer um estudo antropométrico para conhecer as medidas corporais mais comuns entre as mulheres espanholas de 12 a 70 anos. A notícia foi muito divulgada e bem recebida por aqui. Parece que a Espanha será o primeiro país da Comunidade Européia em adotar estes critérios. Vamos torcer para que isso chegue logo nas lojas.

Para saber mais sobre esta notícia, dá uma olhada aqui, aqui e aqui.

24.1.07

em pilhas



Por falar em arquitetura, recebemos algumas revistas que geralmente nem abrimos. Por um lado, pelo excesso de propaganda, por outro, todas as casas mostradas parecem iguais. Geralmente são grandes, com vistas maravilhosas ao mar ou à montanha, além de jardins impecáveis. Sem falar na arquitetura propiamente dita, que costuma ser de boa qualidade, o que não significa que seja sempre bonita. Todas foram decoradas com um cuidado paranóico-obsessivo. Há móveis modernos, de marcas famosas, cozinhas de última geração, salas enormes com sofas enormes (brancos, é claro) e todo este tipo de luxo que as pessoas imaginam devem em casas dignas de sair numa revista de arquitetura.

Tudo muito bem arrumadinho, limpo e tinindo de novo. Nada é velho, desbotado, usado. Casa interessante e velha, arquitetonicamente, não serve para revistas. Tudo é muito bonito, mas não há sinais de vida humana. Parece que são habitadas por seres de outro planeta, que não são de carne osso como eu ou você. Sempre há um arranjo de flores perfeito. E também mesas arrumadas com pratos e copos maravilhosos preparados para uma comida especial que ninguém vê. As casas estão sempre vazias de gente. Não há adultos, crianças, velhos, cachorro, gato. Às vezes, pessoas aparecem em fotos "mudernas", em movimento, como espectros de fantasmas que podiam estar ali escondidos e o fotógrafo conseguiu captá-los por acaso. Depois de ver uma destas revistas, não é preciso ver as outras. As variações são mínimas. Talvez as casas sejam sempre as mesmas e se revesem durante o ano, com pequenas mudanças nos móveis e acessórios.

Todo este bla-bla-blá é para contar que encontrei uma coisa que me chamou atenção numa destas revistas que chegou no fim do ano. Não costumo abrí-las, mas desta vez dei uma olhada. Começei pela parte final, coisa que adoro fazer com as revistas de um modo geral, e dei de cara com uma imagem super engraçada. Ao princípio parecia que era apenas uma foto de livros empilhados, mas depois descobri que se tratava de uma estante chamada Ptolomeo, do designer italiano Bruno Rainaldi. Achei a idéia sensacional. Quem não gosta de empilhar livros e revistas? Minha mesa sempre tem livros e papéis empilhados (a mesinha de cabeçeira também). Gostei muito da idéia. Imaginei que seria bom poder ter uma destas estantes para deixar os livros que estou usando, sem ter que tirar todos ao mesmo tempo para pegar o que está por baixo. Na revista há uma foto do último modelo da série que permite empilhar livros por quatro lados diferentes sobre uma base que parece giratória. Não é d+? ;·). O único perhaps é a poeira que deve se acumular nos pobrecitos por todos os lados. Aqui em casa o excesso de poeira dos livros foi resolvido de outra maneira. Temos um sistema de estantes fechadas com persianas. Isso faz muita diferença na hora de limpá-los. Estou pensando na idéia de mandar fabricar uma versão Tabajara aqui para casa, porque comprar a original italiana está fora de questão, pelo menos por enquanto...

Googleando encontrei informações sobre a tal estante. Gostei muito dos modelos mais baixos. Encontrei uma perfeita para minha mesa. A série Ptolomeo completa pode ser vista aqui.

22.1.07

sonhos arquitetônicos



Já comentei sobre isso alguma vez por aqui. Tenho sonhos arquitetônicos. Faz tempo que deixei esta profissão, talvez por falta de vocação ou simplesmente pela incapacidade de fazer negócios, mas ela ainda faz parte da minha vida diária. O fato de viver com um arquiteto e trabalhar com outro numa escola de arquitetura deve explicar porque nunca deixei de sonhar com espaços desconcertantes ou carregados de significação. Além disso, sou observadora e gosto muito de paisagens e cidades. Será que a arquitetura me persegue ou sou eu que a persigo inconscientemente? Sei lá, não sei...

O espaço é a chave interpretativa dos meus sonhos. Os que costumo recordar sempre se relacionam com o espaço construído, com paisagens, edifícios, ruas, casas, cidades, etc. Por muito tempo meus sonhos arquitetônicos, como gosto de chamá-los, sempre terminavam, ou começavam, na casa do meu avô, na Pedra de Guaratiba. Eram sonhos de uma arquitetura complexa e surpreendente. Muitas vezes anotava o que via durante a noite para não esquecer.

A casa do meu avô guardou meus segredos durante muito tempo de minha vida, mesmo que não a freqüentasse mais. Aos poucos, esta casa mágica com vistas ao mar e sem muros foi sumindo dos meus sonhos. Ainda reaparece algumas vezes, mas apenas em pequenos detalhes, impressões, intuições de que ainda continua viva na memória, com alguns segredos que o tempo não foi capaz de revelar.

Ontem sonhei que X era minha vizinha. Éramos apenas conhecidas. Um dia percebi pela janela que havia uma festa em sua casa no exato momento em que seus convidados começavam a invadir minha varanda. Eles passavam as cadeiras por cima do muro que separava nossas casas. A festa já não cabia na pequena casa de X e ela não se importava em ocupar minha varanda. Sem avisar, como se fosse parte de sua casa também.

Em outro momento do mesmo sonho estou reclamando com X sobre o ocorrido na dia anterior. Em vez de reconhecer sua falta, X fica muito ofendida e me dá as costas dizendo que não queria mais falar comigo. Ao final desta conversa, me senti estranhamente culpada por algo que não havia feito.

No mesmo sonho as paredes da minha casa ficam transparentes quando desejo saber porque X me tratou daquela maneira. Descubro ao olhar pela parede transparente que ela não está e aproveito para observar como é sua casa. É um pequeno apartamento moderno, com uma iluminação especial e cores fortes nas paredes, móveis e objetos. Não há divisórias entre os cômodos. A separação da cozinha se faz por um balcão alto, como se fosse um bar. Ao fundo, na parede do bar-cozinha, há um imenso painel iluminado, igual ao sistema de iluminação de um outdoor que vi semana passada. É uma fotografia grande e retangular de vários cascos de barcos ancorados a um porto. Os barcos não aparecem inteiros e a foto me impressiona muito, desperta minha imaginação. Depois descubro que algumas plantas de X estão descuidadas e penso em levá-as para casa, mas desisto porque não posso avisá-la.

O sonho continuou por outros caminhos desconectados desta situação sem um final definido, como acontece nos sonhos. Acordei com a nítida imagem dos barcos no painel iluminado. Esta imagem me perseguiu todo o dia. Acho que assim nascem algumas idéias artísticas ou literárias, como uma espécie de sonho cifrado cuja única possibilidade de entendimento é sua transposição para a realidade.

Barcos apertados no mesmo cais, a espera do melhor momento para partir. Barcos coloridos numa casa colorida. Paisagem marítima sem mar. Amigos que parecem vizinhos distantes. Barcos que um dia voltarão a velejar. Barcos recortados na luz fria de uma imagem exagerada, imprecisa, impregnada de significados conhecidos. Sonhos arquitetônicos: projetos de desejos em construção.

20.1.07

para amantes do rio de janeiro...

Vista noturna Hotel Copacabana Palace

Teatro Municipal e Av Rio Branco

Sou carioca, como vocês bem sabem. O Rio é a cidade da minha vida, mesmo que tenha vivido mais da metade da vida fora dela. É meu porto seguro. É o lugar em que me sinto em casa, como se estivesse sempre de sandálias havaianas, short e camiseta, bem à vontade, caminhando pelas ruas numa tarde ensolarada.

Chegar ao Rio sempre me provoca uma indescritível sensação de bem estar e tranquilidade. Minto, não é indescritível. O Tom Jobim já descreveu como ninguém esta sensação no "Samba do avião": minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro... Apesar de toda a paranóia que tomou conta da cidade nas últimas décadas, apesar da pobreza, do abandono, do pouco caso dos governantes e da violência, apesar de tudo isso, não troco o Rio por nenhuma cidade. É claro que existem muitas outras cidades neste mundão. Algumas lindas e charmosas, outras perigosas e sedutoras, muitas exóticas, imensas, vibrantes, violentas, ricas ou miseráveis. Depois de muitos anos de estrada, a vida me ensinou que o melhor lugar do mundo é o aqui e o agora. Seja ele em qualquer parte, basta estar com "a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo".

Se pudesse escolher um lugar para viver, escolheria o Rio, mas especificamente o Posto 6, aquela parte entre Copacabana e Ipanema. É "o lugar". Acontece que nem sempre estas escolhas são possíveis. Cada vez gosto mais de Madrid e tudo o que esta cidade me oferece. Já me sinto em casa por aqui, embora seja bem diferente de estar em casa lá no Rio. Espero continuar curiosa por conhecer muitas outras cidades. Há uma lista enorme de lugares que desejo explorar. Acima de tudo, também espero poder voltar todos os anos a minha cidade, só para matar a saudade, ver os amigos, tomar um chopp gelado, almoçar no fim de tarde porque os restaurantes não fecham cedo como aqui, ir à praia, tomar um bom suco de fruta em qualquer esquina, caminhar pelas ruas que gosto, perambular sem rumo pelo Centro, explorar Copacabana, etc. Enfim, coisas para fazer não faltarão jamais.

Já havia prometido mostrar aqui umas fotos que surrupiei de uma base de dados que não está aberta ao público. Espero que não arrume encrencas por causa disso. Conto com vossa discreta divulgação. Considero estas fotos patrimônio público. Deveriam estar nos arquivos da cidade do Rio de Janeiro. Não vejo motivo para que fiquem escondidas em uma instituição estrangeira. Infelizmente, é assim que funciona o fascinante e admirável mundo cultural europeu: é normal acumular milhões de obras do mundo inteiro em suas instituições. Quando há sorte, elas podem ser vistas em exposições, caso contrário, dormem tranquilas nas estantes e armários para o resto da vida.

Estas duas fotos noturnas são de autoria do fotógrafo Flavio Novaes. São as melhores de um conjunto de fotos que foram muito bem escolhidas. Qualquer dia mostro outras por aqui. Fazem parte de um álbum com fotos do Rio que foi oferecido à monarquia espanhola no começo do século XX, por ocasião da Exposição Universal que comemorava o Centenário da Independência do Brasil em 1922.

Dedico estas fotos a todos os leitores cariocas, da gema ou do coração, e também ao Jôka, do blog Avenida Copacabana, a quem as havia prometido faz tempo.

19.1.07

el gazpacho de Ana Seguí



Sim, já sei que por aqui é inverno e este não é o melhor tempo para tomar gazpacho. Confesso que continuo consumindo solitariamente meu "gazpacho suave" assim mesmo. Não o preparo em casa nesta época, mas compro um razoável que se vende em caixas no supermercado.

Acontece que lá do outro lado do charco, em Brasilândia, é verão escaldante e minha amiga Cris me pediu a receita esta semana. Achei que era uma boa oportunidade para publicar uma receita especial de gazpacho ensinado por uma amiga espanhola.

No verão do ano passado, Ana me convidou para passar uma tarde em sua casa. Ela mora num bairro elegante e tranquilo, só de casas, com um jardim bonito e agradável que cuida com muito carinho. Neste dia aproveitou para me passar duas receitas tradicionais espanholas: gazpacho e pisto.

Vamos ao gazpacho. O segredo de Ana (que também deve ser o de muita gente) é acrescentar um ovo cozido e menos quantidade de pão velho, para dar uma consistência mais cremosa ao gazpacho. Fiz várias vezes no ano passado. Já estou quase chegando a um "ponto" mais suave, que é o sabor que prefiro. Afinal de contas, este tipo de comida cheia de pimentões, alho e cebola nem sempre cai bem no meu fino estômago brazuca desacostumado aos sabores fortes. Espero que vocês gostem.

gazpacho de Ana Seguí

1 kg de tomate maduro
1 pimentão verde
1 pimentão vermelho pequeno (ou metade de um grande)
1 dente de alho pequeno
1 pepino pequeno
1 copo de água com um pedaço pequeno de pão velho e duas colheres de sopa de vinagre de vinho branco ou vinagre de jerez
1 copo pequeno de azeite de oliva
1 ovo cozido
sal grosso
1 pitada de cominho (optativo)

preparação
1. No liquidificador colocar 1 colher de chá de sal grosso, pepino, cebola, alho e pimentões picados.
2. Triturar por aproximadamente por 1 minuto.
3. Adicionar os tomates e triturar por mais 1 minuto.
3. Adicionar a água (com o pão e o vinagre), o ovo cozido, o azeite e o cominho (opcional).
4. Bater novamente.
5. Por último, passar por uma peneira e guardar na geladeira.
6. Agitar bem antes de servir. É melhor frio, com picatostes ou croutons (cubinhos de pão torrado e frito em azeite) e outros tipos de tropezones (pedaços pequenos de cenoura, pepino, aipo, pimentão, jamón serrano, cebola, etc.).
7. Depois de preparado pode ser guardado na geladeira por alguns dias.

minhas dicas e variações

1. Como qualquer receita nem sempre a primeira tentativa dá certo. O gazpacho tem um ponto famoso, que se aprende depois de várias tentativas. A cor também é importante e dependerá dos tomates e dos pimentões. Não gosto que fique muito esverdeado.

2. A quantidade e qualidade dos ingredientes é fundamental para garantir que o gazpacho não fique muito ácido, picante, espesso, ralo, etc.

3. Acho que o segredo na hora de servir são os complementos e a temperatura. Não pode ser excessivamente gelado. O pão torrado em cubos, sem fritar, também funciona. Gosto de experimentar com outras variações de "tropezones" como cubinhos de maçã, alface americana cortada em pedaçinhos, milho verde, passas, etc.

Alors, voilà! Cris, depois me conta se ficou bom!

17.1.07

+ cinema

Aqui em casa rola um ligeiro desacordo com relação ao assunto cinema. Sou daquele tipo que vê qualquer coisa, menos filme de terror e musical. O resto encaro na boa. Mi torero tem outras premissas e nem sempre chegamos a um ponto pacífico. No Rio tinha algumas amigas cinéfilas com este tipo de relação com a telona: de um tudo. Aqui ainda não tenho amigas cumpanheiras de cinema que tenham gostos parecidos e, o mais importante, horários e rotinas ajustadas para criar um bom hábito cinematográfico. No Rio geralmente ia ao cinema com uma amiga às segundas ou sextas (ou sozinha no meio da semana, ou numa tarde chata de domingo, etc.). Não perdia nada. Aqui ganhei outros hábitos e curti outras coisas. Deixei de lado o cinema. Veja bem, não reclamo, mas às vezes sinto falta. Acho que tudo pode ser conciliado. Por isso resolvi que a banda vai tocar de outra maneira, aproveitando que estou em fases de mudanças...

Pensando bem, em 2006 fui poucas vezes ao cinema por alguns motivos importantes. A falta de companhia não é o maior problema. Não me importo em ir ao cinema sozinha, aliás, já cansei de fazê-lo aqui também. O problema maior é a dublagem. Este aspecto é muito limitador. Por exemplo, tenho perto de casa um supercinema, com 24 salas e outros dois com mais 20. Todos só exibem filmes dublados. Não "saporto" filmes dublados. Aqui na España isso é muito normal e as pessoas não reclamam, até preferem porque "não gostam de ir ao cinema para ler". Tudo bem, gosto não se discute. Na televisão até consigo encarar a dublagem, mas ir ao cinema para ver atores cujas vozes conheço, ou gostaria de conhecer, falando em espanhol me deixa com o sistema muito nervoso. Principalmente pelas traduções que costumam ser das Organizações Tabajara para baixo.

Este ano "todos os meus problemas acabaram". Resolvi, do verbo resolver, ou seja, tomei vergonha na cara, que vou ao cinema (em versão original) pelo menos a cada 15 dias. A nova resolução começa a vigorar hoje, para ser mais exata. Vou tirar o atraso começando por Scoop, do Woody Allen que, pasmem vocês, ainda não vi. Fui.

16.1.07

"acho que é a década de 1580..."

Estava ouvindo a rádio mpb fm pela internet quando escutei esta piadinha boba do Evandro Mesquita sobre os anos 80. Ressuscitaram vários mortos desta famigerada década em todos os cantos do planeta. A Blitz também entrou na onda. Era um grupo carioca e divertido na época, mas acho que eles podiam ter ficado lá pela década de 1580 mesmo. Não precisavam voltar.

com bom final...

Ontem perdi o sono e fiquei zanzando pela internet. Visitei vários blogs de sempre e encontrei no blog da Bianca -- crônicas madrileñas -- uma história incrível que aconteceu no último atentado terrorista do ETA no aeroporto de Barajas. O post se chama "Uma história que não saiu na imprensa". Vale a pena dar uma passadinha por lá para ler. Aliás, gosto muito do blog desta brasileira cosmopolita e amante de um bom dedo de boa prosa.

in between days

go on go on
just walk away
go on go on
your choice is made


Projeto de vida: positive vibration 24 horas non-stop. Nos meus sonhos arquitetônicos-paisagísticos observo muito mais do que atuo. Descrevo detalhes quando acordo, sinal de que atualmente também não faço nada por lá; só olho para tudo direitinho com olhos de jabuticaba sonhadora e madura.

O novo ano começou assim: entresafra, intermedio, passagem, espera, reticências, entrelinhas... A cidade parece distante e diferente. Os dias meio vazios, com gosto de férias de verão sem viagem e praia. Padeço de um excesso de organização paralizante. Já ensaiei dar um passo, mas voltei no meio do caminho. Desliguei, foi engano, era para dona Ligia.

Há coincidências que me deixam com os dois pés na reserva traseira. Teria que correr muitos riscos. Falta vontade de potência. Talvez, quem sabe, quizás... Para não desperdiçar energia pensante, analisei as tabelas do campeonato espanhol e arrisquei a "quiniela" (a loteria esportiva daqui). Fiz três apostas. Duas seguras e uma louca. Por muito pouco, muito pouco, pouco mesmo não ganhei uma merreca em uma das seguras. Por culpa das zebras do Barça e do Sevilla. Anyway, foi um sinal. Faltou apenas um ponto. Este tipo de merreca às vezes nos dá alegria. Não é que atualmente me faltem merrecas. Não é isso. O que me falta é este tipo de energia que move as pernas, provoca passos agigantados e nos coloca em movimento continuo e acelerado em direção ao futuro do presente indicativo: portas, projetos, entradas, alternativas, idéias, sonhos, atividades ativas...

Tem gente que só é feliz e ponto. Eu também sou muito feliz, mas reflexiono reflito em demasia.

quem não tem mar...

Aproveita as montanhas. Este fim de semana exploramos mais uma trilha na serra. Desta vez partimos de uma pequena represa em Guadarrama e descobrimos um caminho superbonito que acompanha um sinuoso riacho. A subida é pauleira,mas na volta se agradece a ladeira que só desce. O melhor do melhor: o barulhinho bom da água rolando pelo caminho... chuá chuá

madrid pintada



Passeio pintado por Madrid, aqui.

Exposição de Miguel Vivo
Até dia 8 de fevereiro de 2007 na Galería Gaudí (García Paredes, 76).

madrid pintada



Passeio pintado por Madrid, aqui.

Exposição de Miguel Vivo
Até dia 8 de fevereiro de 2007 na Galería Gaudí (García Paredes, 76).

15.1.07

recuerdos de sampa

grafiti na escola da cidade - sampa metrô sampa

rua augusta marionete do raulzito no centrão de sampa

viaduto e flores de jacarandá

Só há tragédias. Às vezes me canso das (más) notícias e me desligo do mundo. Hoje foi inevitável fugir porque até aqui chegaram os ecos do desabamento da estação de metrô de Pinheiros. Então me lembrei que ainda guardava várias imagens que fiz em Sampa em outubro para mostrar aqui. São pequenos recortes urbanos, feitos despretensiosamente enquanto caminhava pelas ruas desta cidade hiperturbinada que não dorme.

13.1.07

chocometa

um cometa, eu vi um cometa
cometa com nome de chocolate
o primeiro cometa que vi na vida
nunca antes jamais nenhum cometa
chocolate, muitos, de vários nomes e marcas
cometa McNaught:
prazer muito prazeiroso em te conhecer
volte sempre

12.1.07

meninos e meninas, eu vi,



O céu estava bem limpo, como se pode ver na foto acima, que fiz antes de avistar o cometa. Logo depois que o sol desapareceu no horizonte comecei a procurar o tal cometa com nome de chocolate: o irresistível chocolate McNaught. Voltando ao assunto. Rob McNaught, o astrônomo que poderia ser dono de uma fábrica de chocolates, descobriu este cometa em agosto do ano passado. Se trata do mais visível e brilhante cometa das últimas décadas e está a 25 milhões de kilometros da terra. Como gosto astronomia, embora não entenda patavinas, aproveitei que hoje o dia estava especialmente bonito, esperei o sol se pôr pra tentar encontrá-lo. Primeiro me confundi com os rastros de fumaça que deixavam os aviões que vivem cruzando os céus de um lado para o outro sem parar. Por um bom tempo acreditei que o cometa McNaught era o resto de fumaçinha branca pequenina próxima à enorme antena de rádio que vejo da minha janela. Que nada. Já estava desistindo quando o encontrei, quase por acaso. Fiquei tão feliz que não parava de repetir para moi-même: é o cometa, é o cometa! Ele é exatamente como aparece na foto aí abaixo, só que no céu se vê bem menor, mesmo com binóculos. Bom, os binóculos aqui de casa não são especiais, mas mesmo assim pude ver o cometa-chocolate numa das tardes mais bonitas deste estranho e caliente inverno.

Devo ser meio boba, mas estas coisas me emocionam profundamente. Viajo no lance sem precisar de aditivos. Fico imaginando como seria ver um cometa quando não existiam grandes cidades superiluminadas como as de hoje em dia. A visão das estrelas no céu era bem diferente, muito mais rica em contrastes, profundidades e brilhos. Imagino que a aparição de um cometa, quando se ignoravam todas as explicações astronômicas atuais, deveria ser uma visão muito surpreendente, quase sobrenatural. Também me fascina o fato de que este tipo de acontecimento demore tanto tempo para ocorrer em comparação ao ridículo tempo de nossa permanência no planeta terra. Enquanto pensava tudo isso reparei que o cometa ia descendo rapidamente em direção ao horizonte. Foi uma visão fugaz, que espero poder contemplar outra vez esta madrugada, na aurora, esta hora mágica antes do amanhecer.


imagem: Giuseppe Menardi, cometa visto nos Alpes italianos (10-01-07)

hoje é dia de ver cometa



Se chama C/2006 P1 (McNaught) e poderá ser visto ao fim do dia, logo depois do pôr do sol, aqui no hemisfério Norte. Devemos olhar para o lado Oeste, a partir do horizonte, para localizá-lo.

11.1.07

a lo mejor sí...

Me quedará tiempo para escribir en español sobre cositas ligeras y digestibles. Be water, my friend. Pórtate bien y sé buena. Buenísima soy y me porto como una puerta que se abre despacito para dejar entrar la luz del final del túnel.

8.1.07

primavera doméstica



Descobri que duas orquídeas vão florir outra vez. Das várias que cultivo em casa, estas pareciam ser as menos prováveis. Murphy again. Já tenho a receita para que voltem florir sempre: muita luz indireta, água sem cloro (em doses freqüentes, sem enxarcar o vaso) e adubo especial quinzenalmente. Viva a biotecnologia!

Ganhar de presente uma bem bonita também ajuda as outras a se animarem, digo yo. Meu Rei Mago me deixou no sapato uma linda, com flores amarelas, diferente de todas as outras que temos em casa. Com estas plantas tenho muita paciência e carinho. Já acompahei o processo de floração várias vezes e acho incrível que flores tão delicadas possam se adaptar ao ambiente artificial doméstico. É por isso que todas as vezes que vou a minha loja de plantas preferida, sempre volto com uma pra casa. Não resisto.

hoje é dia de branco

A segunda amanheceu brumosa, cor de leite transparente. A neblina domingueira ainda não foi embora, como a preguiça deixada pelo fim de semana. Não faz tanto frio como se podeira imaginar.

7.1.07

domingueira

Foi quase no fim da tarde. Um manto branco tomou conta da cidade e já não se vê nada lá fora. O melhor lugar do mundo é aqui e agora, dentro da minha casa quentinha ouvindo Jeff Buckley mientras escrevo linhas impublicáveis, por enquanto...

las peñas

Sonhei que via de longe três transatlânticos enormes, todos lotados de gente. Um deles levava uma torcida inteira vestida com camisetas vermelhas e amarelas. No outro navio, todos os passageiros iam vestidos de branco. Ao se cruzarem os transatlânticos, as pessoas gritavam e festejavam como loucas este acontecimento. Agitavam os braços numa espécie de coreografia carnavalesca muito animada. O relógio tocou e o sonho acabou justamente quando o tercerio transatlântico da torcida colorida começava a soltar fogos de artifícios.

5.1.07

lego-lego



Ontem vi na tv uma reportagem muito interessante. Trata-se de uma espécie de jogo que fazem com as crianças nas escolas cujo objetivo é simular o resgate de alguns pesquisadores em Marte usando um sistema sensacional da Lego chamado Mindstorms em uma enorme mesa que reproduz a superfície de Marte. O objetivo do projeto educativo "Super inNova" é despertar o interesse pela ciência e tecnologia.

No meu tempo não tinha destas coisas não... Aliás, não sou da geração do Lego, creio que o máximo que tive foram aqueles tijolinhos de madera para montar casinhas e um mini-laboratório de química que causava muita inveja nos colegas. Com isso dá para fazer uma idéia de como eram as coisas em matéria de brinquedos educativos, pelo menos no meu ambiente. As experiências extra-escolares eram mínimas. Visitei o Museu Histórico, o Jardim Zoológico e talvez algum parque. Creio que também participei daquelas insuportáveis Feiras de Ciências. E olhe lá!

Por outro lado, uma coisa compensa a outra. Se não tem tu, vai tu mesmo, a imaginação se encarregava do resto. Em matéria de brincadeiras de rua, casas com quintal, pomar, vistas, praia, passeios e piqueniques em geral minha infância foi imabatível.

4.1.07

borges

Fui devolver dois filmes na biblioteca e dar uma volta. Devolvi duas velharias. Barry Lyndon do Kubrick (gente, o que foi feito do famigerado Ryan O'Neal? Ainda bem que o esquecimento também serve para alguma coisa...) e This Is My Father: a Journey of the Heart . Ambos medianos. Aliás, há muita velharia no acervo, mas já fiz uma boa lista de filmes que pretendo ver ou rever. Antes de sair da biblioteca parei para dar uma olhada na estante de novas aquisições. Passei mecanicamente as páginas de um livro de relatos breves hispanoamericanos cujo título não consigo lembrar. Parei quando encontrei a parte dedicada a Borges. Me arrependi por não ter levado pra casa esta antologia apenas por causa de um relato chamado "Jorge Luis Borges". Tenho vários livros de Borges, mas não me lembrava desta pequena e preciosa autobiografia. Aliás, não faço a menor idéia por andam, ou seja, em que caixa ou prateleira, todos os livros que tenho de Borges estão escondidos.

Este livro da biblioteca tinha várias páginas dobradas nas pontas. Alguém resolveu marcar num livro novinho em folha as passagens que mais lhe interessavam. Desdobrei todas as pontas pacientemente, uma por uma, porque para estas coisas não tenho pressa. Fui embora pra casa cantando o Desafinado do Tom e pensando quase em voz alta, a la vez...

Primeiro pensamento: que maravilha poder freqüentar uma boa biblioteca, com tudo arrumadinho, limpo, catalogado, etc. Quem me dera que os lá de casa estivessem todos assim, no lugar e na hora certas.

Segundo pensamento: é uma lástima ter que conviver -- indiretamente -- com este tipo de energúmeno que pensa que o livro de uma biblioteca pública deve ser tratado como um bem privado.

Terceiro e conclusivo pensamento: demorei muito para usar a biblioteca do meu bairro, mas em 2007 espero poder visitá-la com mais freqüência. E se vejo algum energúmeno dobrando páginas de livro, cuidao, pero mucho, cuidao...

don't ask me how...

Diz ele que se deve ao fato de ser carioca, mas acho que os motivos são outros e têm relação com a quantidade de neurônios em atividade na sua caixola! Graças ao Fábio do Caryorker recuperei o post perdido e a fortaleci minha fé na internet. Agora uma coisa é certa, publicá-lo outra vez, acho que não rola!

3.1.07

freudiana

Estava aqui arrumando coisas no blog e sem querer querendo deletei um post. "Era aquele um" recente, demasiado íntimo e pessoal, que relatava minhas reflexões sobre uma importante perda de 2006: o job 1. Sempre faço back-up dos escritos, mas desta vez não guardei cópia nem do primeiro rascunho. San Google também não. Total: acontecimento que só o dr. Freud explica. Só consegui salvar o sábio comentário deixado pela Mary. O resto é silênico.

Quem manda desabafar em público...

listado

Sempre fui chegada a uma lista. Qualquer uma me diverte: tarefas, idéias, projetos, compras, casos, palavras, músicas, lembretes, etc. Aproveito estes dias de Global Mind Change for 2007 para recordar certas coisas vividas em 2006. Vocês bem sabem, a memória é uma construção como outra qualquer. Tijolo a tijolo recheado com uma boa massa vão construindo espaços com entradas e saídas, janelas e portas. O que não entra nesta obra, a pressa da vida se encarrega de apagar para sempre. A memória precisa ser construída e reconstruída constantemente para seguir firme e forte, para não desabar em esquecimento. "Aconteceu virou Manchete", dizia o sábio refrão da velha propaganda. A manchete nos transporta ao relato do que vivemos como protagonistas ou como mero espectadores da vida coletiva. Memorizamos um conjunto básico de palavras relacionadas aos acontecimentos. Mais tarde, depois de muita água passada por debaixo da ponte, somos capazes de lembrar ou simplesmente reinventar "o causo" vivido. A memória, às vezes, é uma construção labiríntica. As palavras que articulamos para descrever o que foi vivido, para contar coisas sobre o passado funcionam como fios de seda que vamos deixando no caminho para refazer o percurso de volta no labirinto da memória. Meus fios de seda são listas de palavras que desvendam um caminho de "recuerdos".

velhos amigos x novos amigos O tempo vai passando e a distância causa estragos significativos em certas relações. Muita gente já viu este filme. Tem gente que desaparece sem deixar rastros. Bom, o único rastro é o número do telefone na agenda e o e-mail no adressbook. No fim do ano sempre caio na tentação de ressuscitar listas de nomes. O resultado não é surpreendente: de onde menos se espera, não vem nada mesmo. Algumas amizades sobrevivem no limbo da falta de contato, sem perspectivas de mudanças. Viver em outro país provoca reações adversas. Parece ser que somente cabe ao "afastado" manter viva a coisa em si. Quem foi embora? Pois então, agüente. Tome silêncio. Algumas velhas amizades sucumbem definitivamente aproveitando a oportuna oportunidade. Já estavam meio mortas antes do exodus, diga-se de passagem. Muitas sobrevivem graças ao cultivo constante e bilateral. Sabemos que o adubo é fundamental para garantir uma boa floração em qualquer primavera. Em 2006 fiz novos amigos na Espanha, no Brasil e no mundo. A maioria graças ao www e muitos outros graças à curiosidade que ainda sinto pelas pessoas em geral.

global friendship circle Ontem fiz uma rápida lista mental de pessoas e cidades que neste momento têm algum tipo de relação com minha vida. Levei um susto com a diversidade dos pontos que vi neste mapa imaginário.

livros Também aproveitei o embalo para tentar refazer o percurso das leituras de 2007. Foi uma grata surpresa descobrir que subi a media de livros por mês, ainda que considere escasso o tempo dedicado a este vício. Continuo com a velha mania de ler uma seqüência de vários títulos de um mesmo autor e, por vezes, dois livros diferentes ao mesmo tempo. Em 2006 o autor escolhido foi Manuel Vázquez Montalbán.

receitas Experimentar na cozinha é uma arte que me assustava. Até bem pouco tempo, não gostava dos primeiros fracassos. Me desanimavam. Uma receita nova nem sempre é sinônimo de sucesso garantido. Resolvi explorar nossa pequena biblioteca de livros culinários e aprendi muitas coisas novas. A principal: não temer o fracasso. Uma receita só funciona depois de muitas tentativas repletas de erros pelo caminho. Alguns pratos repetidos exaustivamente, já fazem parte das especialidades da nossa casa. Descobri que os programas do José Andres funcionam como uma espécie de espiral culinária do saber: a cada nova receita memorizamos etapas comuns, fixamos gestos, revisamos procedimentos. Em 2006 levamos ao grau de "insuperável" três receitas. Outras estão chegando lá. 1. Risotto de langostinos al cava, 2. coca de verduras e 3. meu pavet de morangos, chocolate e madalenas que vai de vento em popa, assim como a recente incorporação do sorbet de abacaxi com hortelã e cava. "Pidam-me" a receita, anda ya , que é grátis!

hábitos Tenho um amigo que prefere dizer que tem costumes em vez de manias. Acho que tenho manias mesmo. Muitas. A cada dia noto que minha lista rotinária vai aumentando. Será a idade? Já começa ao acordar. Por azar ou sorte, algumas manias não duram muito tempo. Por exemplo, em 2006 não consegui manter ou recuperar o hábito, bem pouco prazeiroso diga-se de passagem, de praticar esportes. Necessito tomar uma atitude radical, antes que seja tarde. Bom, todos dizem que nunca é tarde para começar. Deve ser por isso que vou adiando, adiando... Continua vivo apenas o prazer de passear na serra e nos campos das redondezas. Este é o típico caso de uma boa mania.

1.1.07

"es posible que la dirección no se haya escrito correctamente..."

Não há nada de novo, aparentemente. Deve ter novidade escondida esperando a melhor hora para aparecer. Aguardarei o chamado: "Onde é que vai dar? E onde é que vai dar? Não sei". E o velho Murphy? Está vivo. Tropeço, derrubo e tudo me cai das mãos. Se ignoram comandos mentais. O preço da distração desatenta é alto. Pago caro, mas não desisto. As coisas às vezes me assustam, me ferem, tocam no fundo de minha'alma, mas veja bem, mano véio: já madurei. Esperneio rabugices, sinto raiva, mas depois vou à luta. Sabe aquela pia abarrotada de louça suja? Encaro na boa. Só tem uma condição condicionante: tem que ter música ambiente. Aos trancos e barrancos, mas com trilha sonora especial. Aqui estou catando os cacos da última pisada na bola. Companheiros e companheiros: mãos à massa que a é manobra radical.

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa".
Ônibus, avião, carrinho de compras, bicicleta, meus passos...
Já passou.
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