29.5.09

só por hoje

::: Amei o jogo e torci horrores pelo Barça, apesar de ser "madridista". Fala sério, foi lindo. Visca el Barça!

::: Estou me guardando pra quando o verão chegar, mas vai ser preciso me guardar com a boca bem fechada.

::: Arthur, meu sobrinho-pinguinho de gente querido cantou pra mim a música do Hi-5 (o que é isso gente?), que ele adora, no telefone. Pode?


27.5.09

zenzazional



Recebi da amiga canela-verde Giovanna várias fotos antigas de Vila Velha (ES), cidade na qual vivi uma época da minha vida. Esta do Pelé é hors-concours: parece que ele quer pular a cerca!

Para quem conhece a parada, além do Rei, também aparece o famoso Sereia, na época em construção. Foi o primeiro edifício alto da Praia da Costa. Desnecessário dizer, pelo teor da minha juventude, que a foto não é do meu tempo.

Hoje em dia a cidade mudou tanto - e eu também - que às vezes é difícil reconhecer as ruas por onde andei menina e virei gente grande.

Pelé quase vi, se não me falha a memória RAM, no Rio, em mil novecentos e antigamente. Foi de relance no dia em que ele comemorava o milésimo gol. Estávamos no carro no meio do engarrafamento provocado pelo jogo, nas imediações do Maraca. É mentira Terta?

Aliás, por falar nisso, adorava as histórias do Pantaleão e as perguntas do Pedro Bó, personagens inesquecíveis do grande, e por vezes incompreendido, humorista Chico Anysio.



Ops.: Javi, este tem legenda!

23.5.09

porque hoje é sábado

Vamos rir um pouquinho:

1. Com Michel Melamed, que vi pela primeira vez no tempo que frequentava, esporadicamente, o CEP 20.000 no Espaço Cultural Sérgio Porto. Este vídeo é do espetáculo Regurgitofagia.




2. Polo oposto e não complementar: o humorista Nelson Freitas em entrevista no programa do Jô.




sem "embargo"

Por vários motivos, Denise Arcoverde do blog Síndrome de Estocolmo, um dos mais populares da rede (mais de dois milhões de visitas) e um dos meus preferidos, afirmou outro dia que anda meio cansada da blogosfera. Aliás, como ela, muita gente da velha guarda blogueira anda passando por um momento parecido.
***
Tenho mais de 7 anos de blog, ou seja, também devo ser da velha guarda (pareço mais jovem de perto!). Ainda não me cansei desta ferramenta. Pode ser que um dia deixe de ter um blog ou migre para outro formato de publicação, mas isso certamente não mudará alguns aspectos da minha história pessoal. Adoro escrever e faço isso há bastante tempo. Embora seja "mulher de fases", gosto de observar e me expressar com palavras. Posso passar uma temporada sem escrever textos longos, sem fazer leituras profundas ou manifestar-me aberta e polemicamente sobre algum tema, mas não deixarei de escrever, já que se trata de um hábito que faz parte da vida.
***
Ao princípio, o fato de estar morando fora do país e não conhecer muita gente na cidade era um fator que me deixava mais à vontade para escrever. Naquele tempo, não me incomodava saber que meia dúzia de gatos-pingados anônimos passava aqui para ler dois dedos da minha prosa.

Hoje minhas relações sociais mudaram muito. São mais de 7 anos em Madrid. O tempo passou e o número de visitas aumentou. Tive a sorte de conhecer vários leitorinhos e leitorinhas. Fiz boas amizades graças ao DMadrid e conheci pessoas muito legais. Só por isso já valeu a pena. Não chego aos pés de muitos blogs super populares, mas até tive meus 5 segundos de fama efêmera.
***
Provavelmente, entre todas as pessoas que lêem o que escrevo, devem existir muitas com as quais não tenho afinidades bioenergéticas, mentais ou espirituais. Às vezes esta percepção cansa minha belezura e até inibe a publicação de certos posts. Sei que há assombrações que assombram este espaço dia sim e outro também. Sin embargo (ai, ai...), sei que isso faz parte da vida, com ou sem blog o mundo tá domindado, aliás, faz é tempo que tá tudo domindado!

Muita gente modera os comentários para evitar ataques de trolls. Alguns se cansam e um belo dia deixam de escrever publicamente para não ter aborrecimentos. Nunca tive problemas de comentários desagradáveis, viagens maionésicas e perseguições psicodélicas ou ideológicas, ao contrário. Espero que continue assim.

Um blog também é um espaço de prazer e de reflexão aberto: lê e se manifesta quem quiser. Por outro lado, o dono do botequim pode fechá-lo a hora que bem entender. É um pacto, digamos, bem democrático e de mão dupla.
***
Infelizmente o mundo é "mesmo assim". Bisbilhotar é humano, demasiadamente humano, como diria o véio Nietzsche. Faz parte da sociedade em que vivemos. Que atire a primeira pedra iaiá: quem nunca deu uma besourada, de leve, em blogs e redes sociais? Mente maligna, babenta e corrosiva existe em qualquer freguesia que se preze, bisbilhotando ou não. Assim como também existe muita gente cuja elegância discreta, a boa onda e o bom astral nos inspiram a escrever e a desejar ser uma pessoa melhor a cada dia. Se conseguiremos ou não, é tema para outro post, a la Poliana.
***
Blogs e redes sociais, de certa forma, nos ajudam a saciar este estranho vício de olhar a vida alheia. Mediados pela distância do anonimato todos ficamos mais à vontade. Por sua vez, o anonimato é um aspecto psicocultural fundamental da leitura, seja internética ou não. Se publico, ou seja, se faço público, um livro, um artigo ou um blog, não posso impedir que certas pessoas leiam o que escrevo. Conhecer todos os leitores curiosos, que passam em silêncio, sem interagir com o que escrevemos, sejam amigos ou não, é praticamente impossível.
***
Agora uma coisa é certa, encontrar um comentário, um pequeno recado, meias palavras ou uma reação qualquer é muito bom. Quem tem blog sabe do que estou falando: interagir é o que há de melhor neste mundo internético. Entendo que muita gente prefira o silêncio, a liberdade de entrar tipo vapt-vupt-vambora, mas a reciprocidade, a troca e as descobertas de afinidades são reconfortantes. Fazem bem à alma.

Então, prepare seu coração, pras coisas que eu vou contar, eu venho lá do sertão, e posso não lhe agradar...* Ou agradar, uma dia sim e outro também.





* "Disparada", letra de Geraldo Vandré, música de Theo Barros, 1966.


20.5.09

menininha

Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Vinicius de Moraes


Levava somente um chapeuzinho branco amarrado com uma fita ao pescoço e uma fralda descartável, destas que formam uma estranha bolsa entre as pernas mesmo que estejam vazias. Devia ter pouco mais de um ano. Brincava com seus pais na areia, numa tarde de céu azul, mar tranquilo e praia vazia.

Não estava sentada muito perto da família, mas dava pra ver de longe que os pais a filmavam, faziam castelos na areia e inventavam brincadeiras divertidas. Em um momento vi que a menina ameaçava jogar suas sandálias na piscina de plástico. Me distraí com outras coisas, mas após um tempo ela passou pelo meu ângulo de visão. Acompanhei como este pinguinho de gente tão bonitinho, se afastava cada vez mais dos pais levando suas sandálias, uma em cada mão. Aliás, ela nem olhava para eles, que por sua vez, esperavam sorrindo para saber como ia acabar a brincadeira.

Caminhava como se tivesse alguma coisa que fazer num ponto infinito após as jardineiras que separam a praia da calçada. Lá ia ela, feliz e contente. Uma brisa suave movia a aba do seu chapeuzinho branco. Parecia um ser independente, que não precisa de muitos cuidados, fraldas e mamadeiras.

Chegou ao caminho que leva à calçada e parou para sacudir as sandálias. Foi então que seus pais começaram a chamá-la. Ela olhou para eles com indiferença calculada, mas não desistiu, continuou andando até que sua mãe apareceu para levá-la de volta à areia da praia.

Menininha decidida e corajosa! Nem bem começou a entender o mundo já sabe que suas pernas servem para algo mais que correr em volta de seus pais.


frases da bíbi

A vida é um grande empreendimento aeróbico sem finalidades fitnesstéticas.


Ela escreve assim, com bom humor e uma ironia fina altamente palatavel.


18.5.09

quatro dias & meio

::: Fui de trem, sentadinha e relax. Deu tempo de curtir a paisagem, ouvir música boa, jogar conversa fora e continuar a leitura de um livro que não largo desde semana passada.

::: Ir à praia é como ganhar um tempo extra na vida. Voltei completamente recarregada, com mais energia e até meio bronzeada. O mar estava lindo, aliás, o Mediterrâneo sempre me surpreende, tem umas cores de tirar o fôlego: azul-verde transparente hipinótico.

::: Na sexta ainda pegamos um restinho de vento, mas a frente deixou o céu cristalino. Quase se podia ver a África. Pena que a água estava fria, não tive coragem de encarar um mergulho. Só molhei os dedinhos.

::: Conheci novas praias e até encontrei duas escolas de vela. Fiquei com a cabeça cheia de minhocas. Faz tempo que tenho vontade de voltar a velejar.

::: Dormimos cedo, caminhamos muito, comemos bem - como sempre -, e claro, curtimos muito nossa solidão a dois, ou seja, estivemos bem acompahados por nós dois todo o tempo. Cá estou de volta, re-novinha em folha, pronta pra encarar minha falta de rotina semanal.

::: Ainda deu tempo de pensar na vida. Fiz algumas escolhas básicas e fundamentais nos últimos anos. Desejo viver ao lado de pessoas que me queiram bem e que me digam "vem pra cá você também, vem!". Já era hora de mudar o rumo daquela prosa e inventar outra.

::: Assim sendo, a semana só começa amanhã. Boa noite. Bom dia. Boa semana.

7.5.09

papo de táxi

Hoje estava com pressa e fui de táxi, "igual que nem" a Angélica. O motorista era surpreendentemente jovem. Diga-se de passagem, cada vez vejo mais jovens dirigindo este tipo de transporte público. Isso é de se agradecer. Há até bem pouco tempo, este tipo de serviço era dominado por seres humanos de difícil trato, geralmente homens maduros e mal-humorados. Aliás, o estilo casca-grossa de ser também rolava no Rio em épocas remotas. Quem não se lembra do tradicional taxista portuga, alvo de tantas piadas que exageravam sua particular lógica lusitana de pensar e ver o mundo? Sim, era complicado interagir com este tipo de motorista. Hoje em dia pegar um táxi no Rio é bem mais tranquilo. Até pode ser uma aventura divertida, principalmente se você conhece a cidade.

Por aqui sempre entrei em táxis com muito cuidado. Às vezes pairava no ar a impressão de que o motorista estava fazendo-me um favor pelo qual também ganharia dinheiro, o meu é claro! Havia exceções, mas de um modo geral, era uma experiência estranha. Lembro-me uma vez que fiz um trajeto de quinze minutos no máximo. O telefone do motorista tocou justo ao entrar no táxi. O sujeito dirigiu durante todo o percurso com o celular no ouvido. Falava alto e dava para notar que o assunto era importante. Ao final, quando lhe interrompi para avisar outra vez onde queria descer ele me respondeu que naquela rua não entrava. Ele ia para outro lado. Se entrasse ali complicaria sua vida depois. Ou seja, era uma carona. Tive vontade de descer sem pagar, mas achei melhor pagar e mandar ele pra aquele lugar, de preferência sem desvios. Saí quase correndo depois. Sabe-se lá se o cara era louco de pedra.

Muitas pessoas que moram aqui devem ter histórias divertidas sobre taxistas madrileños para contar. Ultimamente tenho sorte. Sempre sou tratada com civilidade.

O taxista de hoje era educado e estava doido para puxar conversa. Entrei, lhe disse pra onde queria ir e me calei. Ele devia estar de olho porque não esperou muito para se arriscar. Escolheu o tema número um da falta de assunto: as condições climatológicas do dia.

- Que calor hein? Acho que vai chover. É bom mesmo que chova... - assim começou sua conversa mole estratégica para romper meu silêncio.
- É verdade - respondi educadamente -, mas para mim está ótimo. Não gosto de frio, prefiro o calor.
- Ah, também prefiro, mas não como o de hoje. Está fazendo muito calor! - repetiu meio chateado.

Aqui tenho que confessar uma coisa. Acho muito engraçada esta história de conversar pelo retrovisor. Nunca consegui conversar com a imagem no espelho como se fosse a coisa mais normal do mundo. Respondo olhando para o motorista. Sempre acontece que o sujeito ao perceber minha incapacidade "retrovisora" vira a cabeça para me responder, assim coloca minha vida e a dele em risco.

Pensei nisso mais uma vez enquanto avaliava se devia cair na conversa mole ou deixá-lo se espraiar. Deve ser muito chato dirigir o dia inteiro e não ter com quem falar. Sou carioca. No Rio somos mestres na arte do papo furado. Adoramos jogar conversa fora, falar bobagens e dar boas risadas. Sempre puxo assunto, em circunstâncias diversas, sobre qualquer coisa: clima, trânsito, futebol, uma notícia do rádio, política, a barbeiragem do carro em frente, a cortada do motorista de ônibus, a moça que passa, a beleza da paisagem... Enfim, o repertório é infinito. Se rola um papo, estou dentro, mas hoje estava cansada. Ainda assim, consegui dar um pouco mais de corda para o rapaz.

- É, os madrileños nunca estão satisfeitos: se faz frio, reclamam do frio; se não chove, dizem que falta chover; se chove, a chuva é um "auténtico coñazo", e se faz calor... - comentei em tom de brincadeira - por mim, pode fazer calor à vontade. Aliás, o de hoje não é nada perto do que estou acostumada. Minha cidade é quente quase o ano inteiro.

Ele me olhou com uma cara divertida e me perguntou de onde era. Depois de lhe contar rapidamente como é o clima no Brasil a conversa ficou mais animada. Voltamos ao tema que lhe interessava.

- Bom, aqui é diferente - disse ele quase se defendendo - este calor estaria bom se estivéssemos nas Ilhas Canárias. Lá é assim o ano inteiro, mas aqui em Madrid, no começo de maio? Isso não é normal. É um calor que chegou muito rápido. Veja só, hoje o termômetro do meu carro já marcou quase 30 graus.

Não resisti:
- Ah, sinto muito, mas seu termômetro deve estar enganado. Lá fora está melhor que aqui dentro. Há uma brisa fresca e a temperatura está muito agradável. Não acredito no que está marcando aí.
- É verdade, lá fora está até ventando - ele contrabalançou -, ontem foi pior. Hoje pelo menos há nuvens, até parece que vai chover...

O bom papo de táxi termina assim, volta-se ao ponto inicial da conversa. A sorte é que isso acontece justo na hora de avisar que chegamos ao nosso destino. Pagamos a conta e, num passe de mágica, desaparecemos do fabuloso universo do taxista.

Há uma lei da vida urbana que comigo sempre funciona: é praticamente impossível voltar a pegar o mesmo taxista, salvo raras e precisas exceções. Não sei se é puro acaso ou se realmente o universo conspira para que isso não volte a acontecer. Como dizem por aqui, me da igual, ou seja, não me importa. Já pensou ter que encarar o papo furado deste jovem taxista outra vez?

complemento

Escrevi tanto aí embaixo que pulei uma parte. Acho que vou comprar um e-book por vários motivos: pela leveza, pela possibilidade de ler milhões de coisas no mesmo bichin, porque não gosto de acumular nada, menos ainda quando há papel no meio, porque sei o que provoca a indústria de celulose e os famigerados eucaliptos, porque posso levá-lo pra todos os lados sem carregar peso, porque ele é lindo, porque sou fã do Jeff Bezos, criador da Amazon.com, porque pra mim a vida só vale a pena ser vivida se for com espírito de desprendimento... E porque... porque... porque... Ora, porque como dizem minhas sobrinhas, é maneiro.

6.5.09

eu qué muito [4]




Mês passado circulei mais do que o normal pelos sites sobre novas tecnologias depois de ler uma matéria na revista do El País sobre os livros digitais (El libro del futuro ya está aquí).

Já faz tempo que namoro a ideia de comprar um bichin destes. Para mim é um objeto tão necessário quanto um telefone celular. Aliás, é por aí que a coisa vai, mas este seria assunto pra outro post.

Já comentei algumas vezes por aqui que sou contrária a acumulação de livros em casa. Isso em teoria. Na prática vivo, literalmente, cercada por livros. Não por opção, mas por amor, respeito e carinho às escolhas do mi torero. Ele gosta de acumular livros e como gosto muito dele, com ou sem livros, passo a terceira e vou em frente.

O tema das razões que levam a acumulação de livros é complexo. Há um respeito cego pelo "objeto" livro que vai além do uso e de seu conteúdo. Os livros também são fetiches e dizem muito sobre seus possuidores. Se desfazer ou reciclar objetos-livros-usados-lidos é uma qualidade que poucos leitores compulsivos possuem. Freud explica, mas quem explica melhor ainda é o Umberto Eco, segundo li outro dia na resenha de “The Black Swan”, um livro muito interessante de Nassim Nicholas Taleb que vou ler qualquer dia destes. Eco explica sua paixão pela acumulação de livros com um conceito: a antibiblioteca. Consegui uma tradução livre aqui (aliás, este blog é ótimo) de um parágrafo que esclarece a coisa:

O escritor Umberto Eco é proprietário de uma grande biblioteca particular (contendo 30 mil livros), e separa as pessoas que o visitam em duas categorias: Aqueles que reagem com “Uau! Signore professore dottore Eco, que biblioteca o senhor tem! Quantos desses livros o senhor já leu?”, e outros - uma pequeníssima minoria - que entendem que uma biblioteca particular não é um acessório pra levantar o ego do seu proprietário, mas uma ferramenta de pesquisa. Livros não lidos não são menos importantes do que livros já lidos. A sua biblioteca deve conter mais o que você ainda não sabe do que você já sabe. Você irá acumular mais conhecimento e mais livros à medida que envelhece, e o número crescente de livros não lidos em sua prateleira será ameaçador. Sem dúvida, quanto mais você sabe, maior sua lista de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros como uma antibiblioteca.

Pois é, lá em casa tem uma antibiblioteca. São mais 2 mil títulos sem classificar. Uma pequena parte é lida ou consultada com frequência, a outra... Bem, a outra está a espera de tempo e espaço mental para sair da longa fila dos livros não lidos.

Como já disse antes, prefiro que os livros sejam guardados nas bibliotecas públicas. Como é bom que tudo esteja catalogado, classificado, em base de dados online, limpinho, arrumadinho e fora da minha casa. Em se precisando, vou lá, procuro, peço, leio e devolvo. Fora do prazo, mas devolvo.

Bom, voltando à cool cow: sim, quero um e-book. Já, imediatamente! Ano passado estava com esta ideia na caixola, mas depois de ler várias resenhas, achei melhor esperar as versões mais modernas do bichin. Há um aspecto fundamental: o peso dos livros e meus óculos. Sou uma jovem senhora com braços curtos e vista cansada que não gosta de fazer levantamento de livros. Por exemplo: li em janeiro um livro de 1200 páginas do Elias Canetti (da biblioteca do meu bairro) que para minha sorte era em papel bíblia, caso contrário, pas posible.

A principal função que faltava em muitos e-books era um sistema de busca inteligente. Sem falar na leveza, na possibilidade de fazer anotações ou marcar partes do livro. O acervo em línguas em que costumo ler é uma questão de tempo.

Parece que o Kindle 2.0 da Amazon está bem melhor. O que tem todas as funções que desejo é o PRS-700 da Sony, que por outro lado, não é uma brastemp em alguns aspectos.

Resumo da zarzuela: até agora estou mais inclinada pelo Kindle, mas tenho algumas dúvidas existenciais que certamente resolverei antes que chegue o verão.

Mais:

::: José Antonio Millán, "El buen libro de papel", El País, 07-06-08.

::: Aqui, uma análise sobre o Kindle 2.0 e aqui sobre o Sony Reader PRS-700. Aqui uma interessante comparação entre os dois.

antony & the johnsons





Continuo na minha fase de ouvir "de um tudo" e perder o atraso. Outro dia trabalhando fiquei hipnotizada após ouvir "One dove" na Fip. É uma das músicas mais bonitas que conheci nos últimos tempos. Já baixei alguns discos do grupo e dei uma pesquisada para conhecer melhor Antony Hegarty, vocalista e compositor, figura andrógina e estranha, dono de uma voz suave e altamente "grudante".

A primeira impressão se converteu em vício. Agarra o link aí pra saber se você gostará também.




andar, andar



Se tem uma coisa boa em morar na periferia periférica, em pleno caminho da serra de Guadarrama, é a possibilidade de fazer caminhadas por lugares fora da área de cobertura, do tipo que te fazem esquecer da vida urbana. Basta gostar de andar e de descobrir novas rotas.

No último fim de semana fomos conhecer algumas trilhas a partir de Molino de la Hoz, urbanización que está dentro do Parque Regional del curso medio del río Guadarrama. É uma região que já conhecemos em parte. Desta vez, exploramos um roteiro que vai render bonitos passeios nesta primavera. Trata-se de um caminho plano, excelente para bicicleta e cercado de vegetação típica: encinas, retamares, pinares y jaras, com excelentes vistas da serra e dos pueblos da região noroeste de Madrid.

Aqui em Madrid estas saídas fazem parte da nossa rotina de fim de semana há muito tempo. Já perdi as contas de quantas vezes nos perdemos por aí para conhecer alguma rota nova. Gostamos de caminhar e explorar as redondezas. Definitivamente, não somos da nigth, nem dos bares e dos lugares fechados com fumaça e barulho. Comer bem, só se for com tranquilidade e qualidade. Temos uma certa alergia à muvuca. Também não praticamos levantamento de copos e zapping intensivo. Reuniões sociais e familiares? Bom, somente as desejadas, imprescindíveis ou inevitáveis.

Por outro lado, acho que já contei por aqui, apesar de ter muitos amigos queridos e de ser até meio "pop", sempre tive uma ligeira fobia social. A medida em que a coisa vai ficando repetitiva necessito sumir do mapa. Meu temperamento exige altas doses de isolamento para interagir e fluir bem com a fauna & flora urbanas.

Adoro a luz do sol, os dias luminosos da primavera e do verão, as paisagens amplas, os sons da natureza, o céu azul, as tardes que demoram a virar noite. Depois destes passeios, relaxamos e a semana começa diferente.

Madrid tem muito a oferecer. Basta perguntar ao tio gugol. Se você gosta de caminhar, há roteiros para todos: dos preguiçosos aos profissionais das trilhas. Vale a pena se aventurar e deixar a preguiça de lado. Nem que seja por um dia.




5.5.09

eu & ele





Foi um prazer inenarrável passar quase 3 horas ouvindo e aprendendo muitas coisas com Marcos Suzano, um dos melhores percussionistas da atualidade. Sou uma grande admiradora da vitalidade e versatilidade deste músico. Ele é uma pessoa adorável, muito carioca e muito simpático. Nos tratou com carinho, atenção e bom humor.

Quase todos os participantes deste workshop promovido pela FHB eram espanhóis. Na verdade, havia pouca gente. Confesso que meio fiquei chateda por não ter "democratizado" a informação por aqui, mas também pensei: ok, não sou a Rede Globo plim-plim! Muita gente sabia, não foi e ponto.

Para nós, me and mi torero, foi uma alegria e um privilégio poder vê-lo de tão perto. Ele é um dos meus "idálos". Vou tratar de praticar algumas das suas dicas com meu pandeiro de estimação. Aliás, fala sério, os pandeiros que o Suzano tocou hoje, um japonês e outro norte-americano, são autênticas jóias: lindos e superleves. Deu vontade de levar pra casa.

Para quem é fã do seu trabalho, e da boa música brasileira, amanhã Suzano se apresenta com Hamilton Holanda no Centro Pilar Miró (Plaza Antonio María Segovia s/n, Metro: Vallecas Villa, Cercanías RENFE: Vallecas y Santa Eugenia). Eles mereciam um lugar melhor, mais central, mais tudo. Acontece que "a vida é mesmo assim". Ainda bem que ele sabe que isso é o de menos. O mais importante é tocar e fazer boa música, sempre.

Se vou? Claro, óbvio e "por supuesto", ululante.



* As imagens foram feitas com a câmera tabajara do meu celular, o nokinha.

4.5.09

"hoy no, mañana"


Outro dia me disseram, com muito carinho e respeito, diga-se de passagem, mas como se fosse uma espécie de defeito de fabricação, que sou excessivamente democrática. Será isso um problema? Acho que não, assim como também acho que não "é errado dizer-se que algo é um erro?" (Caetano Veloso). É cada um com seu cada qual e tudo bem.

Sin embargo (adoro esta expressão), depois de ouvir esta pérola, parei para pensar. Achava minha democrática opção de compartilhar informações uma qualidade digna de ser cultivada. Não gosto de segredinhos, surpresazinhas e manobrazinhas políticas. Se estão no diminutivo acho pior. Não levo jeito para as artes cênicas. Prefiro tudo às claras, em preto, branco e technicolor.

Mudar radicalmente neste aspecto não vem ao caso, até porque defeitos todos têm, alguns mais e outros ainda mais, só depende do ângulo e da distância. Sin embargo (outra vez?), gosto de tudo que pode ser reciclado. Quem sabe é hora de observar certos ambientes antes de sair abrindo a boca "democraticamente"?

Acredito que o saber e a informação nunca sobram, são sempre bem-vindos. Sin embargo (é a última, prometo!), há pessoas que tem todo o direito de cultivar o não-saber-de-tudo, a desinformação e a falta de compartilhamento antidemocrático na santa paz, na boa e sem stress. Porque vou atrapalhar né?

Em assim sendo, aviso e comunico, dois pontos: num determinado tema vou manter um certo segredinho "surpresístico", ao menos por aqui. Contarei tudo, mas só depois de que o acontecimento tiver acontecido. Assim evito ferir suscetibilidades.

Por exemplo: amanhã vou realizar o sonho de conhecer o trabalho de uma pessoa admirável, a quem considero um verdadeiro mestre. Aguarde cenas dos próximos capítulos. De leve!


zii & zie



Sou assumidamente, de longa data, uma autêntica "caetanete gotejante". Pra quem não sabe, esta divertida e sarcástica expressão surgiu nos comentários do "Obra em progresso", blog que Caetano criou durante o processo de elaboração do seu último disco "Zii e Zie" (leia também resenha no Overmundo).

Vale a pena escutar este novo trabalho do Cae, principalmente depois de acompanhar o blog e descobrir que além de compor e cantar bem, o homem pensa, tem muitas dúvidas e dívidas como qualquer ser humano normal: urbano, animal e irracional. Ou seja, guardadas as devidas e indevidas proporções, ele é igual que nem que nós. O disco tem esta vibração que para mim é uma qualidade: também se pode escutar como um processo.


parece

*

Podem dizer isso ou aquilo, assado, frito ou ensopado, mas está na cara que tem mais de 50. Isso é irreversível milady.

Sim, ela se cuida muito, malha muito, disfarça muito bem, mas a idade já tomou conta de todos os poros e de sua expressão. Porque lutar tanto contra o tempo? Ela é bonita assim: com 50, bem cuidada, bem malhada e bem disfarçada.



* Imagem: El País Digital, 04-05-09


3.5.09

4



::: O domingo fecha um fim de semana prolongado e totalmente relax. Fizemos algumas caminhadas inesquecíveis. Exploramos novas rotas em plena temporada de floração das perfumadas jaras com direito a trilha sonora de passarinhada cantarina. Melhor que isso, só praia, água de coco e chopp gelado.

::: Pobre Real Madrid. Definitivamente o Barcelona é o que há de melhor no panorama do campeonato espanhol. Perder assim dói.

::: Fiquei alguns dias sem internet no notebook doméstico. Um vírus velho e cansado de guerra, malocado num cd de back-up desde 1999, bloqueou meu acesso à rede. Foi difícil conseguir descobrir o esconderijo do "coiso ruim". Queimei vários neurônios para resolver o problema e ainda não estou muito tranquila.

::: É verdade, cada vez escrevo menos como gostaria por aqui. Ando meio bloqueada para escritos reflexivos e pseudoliterários. Deve ser culpa da voragem da vida. Passará.


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