::: Estou assim, digamos, meio atordoada por certas constatações. O quebra-cabeças já está quase completo, mas ainda me recuso a aceitar a imagem que ele exibe sem pudores nem disfarces.
::: O conselho guardei, embora nem sempre o siga à risca. "Não suscite confidências". Mas o que fazer com as suscitadas e ressuscitadas que circulam por aí, alheias a nossa vontade?
::: Já disse aqui alguma vez e repito, não sou 100% felicidade full time tipo hahaha hihihi. Necessito alguns períodos "cinzos", chuvosos e melancólicos para encher minha cabeça de minhocas. Só assim posso adubar a mente e produzir alguma coisa que preste. Ou não.
::: Criar é sofrer, no sentido de resistir e aguentar o tranco. É forte, mas é verdade. Quem trabalha com processos criativos sabe disso. Não há criatividade compatível com uma vidinha mansa de felicidade eterna e preguiçosa. Que pena! A angústia da incompletude devora tudo. Temos que ralar o couro e esquentar a caixola, sim e sim, para aplacar esta besta-fera.
::: Então só me resta mergulhar nas leituras e releituras, organizar as ideias, cavar o solo movediço das palavras, escrever e reescrever mil vezes até ficar medianamente satisfeita com o resultado.
::: Entre uma coisa e outra, durmo o sono que descansa os olhos e termina frases incompletas.
::: Perseguida costumava dizer que à noite, enquanto dormimos, há duendes que movem as palavras no texto. No outro dia tudo parece fora de lugar.
::: No creo en duendes, pero...