25.7.11

cacarecos





É minha gente boa e bronzeada, é preciso pensar bem antes de sair por aí distribuindo nossos pertences inservíveis com espírito samaritano e magnânimo do tipo "ai como sou boazinha".

Os que entraram neste trem de "cercanía" semana passada, na mesma bat hora e no mesmo bat vagão que entrei, encontraram-se com esta cena: restos de uma doação bem-intencionada espalhados pelos bancos.

Se dou de cara com minhas ex-coisas espalhadas deste jeito acho que tinha um troço. Não por vergonha, porque não sou do tipo que tem vergonha disso ou daquilo, mas por achar o gesto uma profunda falta de sei lá o que. Já sei que respeito e consideração não são atributos universais. Muita gente vem ao mundo desprovida de mínimos, mas expor nossos ex-cacarecos, carregados de significação e memórias, assim como assim é muita falta de simancol.

Sincericidamente: é o fim da picada, né? Ou será que sou muito apegada aos ex-cacarecos? Freud, por favor, abstenha-se!


23.7.11

eu qué [9]



Prata & pedras: topázio, ametista, citrino, peridoto e iolite. Não é simplesmente lindo? Se ficaria bom em minhas mãos de dedos curtos não vem ao caso, né?

22.7.11

luz de folhinhas






Esta semana estive num bar "muderninho" e fiquei olhando esta luminária enquanto esperava por uma amiga. Lembrei-me daqueles calendários muito polulares no Brasil: a Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, da editora Vozes, pelo formato dos papeizinhos.

A folhinha era obrigatória na casa do meu avô e depois também virou mania dos meus pais. Até hoje eles compram e vão tirando as folhinhas diariamente.


without lucian freud



The aura given out by a person or object is as much a part of them as their flesh. Lucien Freud

21.7.11

entardecer




No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos...

Fernando Pessoa


20.7.11

bolha



::: Esta semana, finalmente, saí da bolha: d'you know what i mean?

::: Fase bolha é bem assim, dois pontos: parece que o mundo está lá fora e você está dentro da dita cuja. Fica lá por conta própria (e imprópria), dando voltas, meio zonza, sem vontade de sair, sem vontade de falar, sem vontade de ná di ná.

::: Não, muita hora nesta calma, não é deprê não senhor e não senhora. Mas se a gente se acostuma na bolha, se vai pegando gostchu pela coisa em si (e fora de si) pode até degringolar e virar mingau de minhoca, daquele tipo de minhoca que dá voltas na cabeça.

::: Outro dia a bolha fez ploc, mas nem sei como, onde nem porque. Só sei que desde então estou fora e respiro aliviada o ar destes lindos dias de verão.

captou?



Pesquei no blog/coluna do Sérgio Rodrigues duas pérolas-pedradas:

1ª. Artigo da escritora escocesa AL Kennedy blog do “Guardian”: Off-putting behaviour.
Win or lose, you have to be in the game to play it and writing is a game which can deepen and enrich any player's experience, moment by moment. We can all feel we're not really up to it on any given day – and sometimes we're right, we should take a break. But not writing – that would be like not speaking, not touching, not kissing. Pauses are probably unavoidable, but perhaps use yours, enjoy them, shorten them until you can find their edge.

. Um sopapo na boca do meu estômago de eterna adiadora da hora H:
Planejar escrever não é escrever. Traçar o projeto de um livro não é escrever. Pesquisar não é escrever. Falar com as pessoas sobre o que você está fazendo, nada disso é escrever. Escrever é escrever. E.L. Doctorow

Resumo da minha ópera: "Hoy no, mañana" já deu o que tinha que dar.

17.7.11

picasso



Amore, ¡creo que te gustará! Picasso experimentador (esponja), epicúreo (vividor) y existencialista (pasional), todo ello sin paliativos (contemplaciones) y al mismo tiempo (plenitud). Todavía "desconocido" y sin explotar el filón que descubrió (resto sumergido iceberg), sus orígenes están en esos años 1900-07.
A. V., mi amor

Para os afortunados que estão ou irão a Barcelona proximamente, esta exposição é imperdível: Devorar Paris - Picasso 1900-1907, até 16 de outubro no Museo Picasso.

Por hora não tenho planos de ir a Barcelona, por isso me "inconformo" com este vídeo, uma boa reportagem exibida dia 16 no Informe Semanal da TVE 1.

¡olé!

15.7.11

histórias



Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade.
Manoel de Barros



Curta de animação baseado nos poemas de Manoel de Barros,
realizado especialmente para a exposição Arte Para Crianças.
Direção e desenhos: Evandro Salles.
Roteiro: Bianca Ramoneda.
Trilha sonora: Tim Rescala.
Direção de arte e animação: Marcia Roth.
Brasília, DF. 2007

14.7.11

horchata [2]



No verão não tem coisa melhor que uma horchata geladinha. Como já disse aqui certa vez, trata-se de uma bebida feita a partir de um tubérculo chamado "chufa". É bem antiga, do tempo dos egípcios, e muito comum nas regiões de Valência e Catalunha. O sabor da horchata é único, não conheço nada com que possa compará-lo. É uma bebida que mata a sede e alimenta, perfeita para uma tarde quente de verão.

Esta semana experimentei uma maravilhosa, como há muito tempo não tomava, feita aqui nos madriles. Toda hora faço uma excursão à geladeira, porque não se pode guardar por muito tempo. Estou fazendo a minha parte direitinho para a horchata não estragar.

Foi mi torero quem encontrou a dica que compartilho com vocês: Fábrica de Siempre (calle Pedro Tezano, 11, em Tetuán). Para quem nunca teve o prazer de experimentar, vale a pena comprar uma garrafinha e levar pra casa. Depois me conta se gostou!

12.7.11

medicina preventiva



:::
Falta de concentração? Presente.

::: Vontade de trabalhar? Saiu pra comprar cigarro, mas não disse se volta.

::: Pensamentos redundantes do tipo "praia, praia, praia"? Frequentemente.

::: Preguiça malemolente? Dia sim e outro também.

::: Autodiagnóstico precoce: necessito (mais) férias, em altas dosagens!

11.7.11

wild thing



Assisti por acaso estes dias o final do filme Something Wild, de Jonathan Demme, cuja trilha sonora faz parte da minha memória musical. Escutei este disco até furar. O filme perdeu um pouco do seu encanto depois de tanto tempo, mas ainda diverte.

Adoro esta versão de Wild Thing com Sister Carol.

10.7.11

riacho chato



Vou te contar uma coisa muito aqui entre nosotros: que chatice de romance é o tal de Riacho Doce. Já sei, gosto não se discute, mas um poquito de por favor... Cheguei ao final aos trancos e barrancos, pulando frases e lendo na transversal, por puro respeito a um nome relativamente importante da literatura brasileira. Recomeindo não.

8.7.11

flip on line



Ando numa fase très magnanime que só tu vendo. Por isso mesmo vou repetir uma dica très buena. Flip é um corretor ortográfico e conjugador de verbos muito simpático. Use e abuse do dito cujo, já que a versão on line é totalmente "de grátis". Se quiser evoluir na coisa em si, também estão à venda vários produtos relacionados às línguas portuguesa e espanhola.

Como diriam os paulistas, eu recomeindo. Não pague micos desnecessários, só os necessários já são suficientes.

a vida & as coisas da vida [16]



::: Estou assim, digamos, meio atordoada por certas constatações. O quebra-cabeças já está quase completo, mas ainda me recuso a aceitar a imagem que ele exibe sem pudores nem disfarces.

::: O conselho guardei, embora nem sempre o siga à risca. "Não suscite confidências". Mas o que fazer com as suscitadas e ressuscitadas que circulam por aí, alheias a nossa vontade?

::: Já disse aqui alguma vez e repito, não sou 100% felicidade full time tipo hahaha hihihi. Necessito alguns períodos "cinzos", chuvosos e melancólicos para encher minha cabeça de minhocas. Só assim posso adubar a mente e produzir alguma coisa que preste. Ou não.

::: Criar é sofrer, no sentido de resistir e aguentar o tranco. É forte, mas é verdade. Quem trabalha com processos criativos sabe disso. Não há criatividade compatível com uma vidinha mansa de felicidade eterna e preguiçosa. Que pena! A angústia da incompletude devora tudo. Temos que ralar o couro e esquentar a caixola, sim e sim, para aplacar esta besta-fera.

::: Então só me resta mergulhar nas leituras e releituras, organizar as ideias, cavar o solo movediço das palavras, escrever e reescrever mil vezes até ficar medianamente satisfeita com o resultado.

::: Entre uma coisa e outra, durmo o sono que descansa os olhos e termina frases incompletas.

::: Perseguida costumava dizer que à noite, enquanto dormimos, há duendes que movem as palavras no texto. No outro dia tudo parece fora de lugar.

::: No creo en duendes, pero...

7.7.11

mundo pequeno [5]

O Mundo Pequeno é um índice de blogs de brasileiros que moram no exterior e que falam da sua vida em seus novos países criado pela Luciana Bordallo Misura do blog Colagem em outubro de 2002.

Este ano foi criada uma página no Facebook, com dicas de blogs e temas relacionados à vida no exterior. Agora o Mundo Pequeno também está no Twitter!

Seu blog faz parte do Mundo Pequeno ou você gosta desta ideia? Então, por favor, ajude-nos a divulgá-lo! Copie e cole este post no seu blog!






6.7.11

seu jeans



Sabe aquelas calças jeans velhas e desbotadas que jogamos fora no depósito para reciclar roupas da esquina ou no lixo? Acho que algumas foram parar na capa de um mendigo que vi na rua outro dia. Merecia ser fotografada, mas desta vez não tive coragem, senti pena de expor a dignidade e a miséria daquele homem. Poderia ao menos ter registrado, mas estava com pressa e atrasada para um compromisso. Espero ter a oportunidade de vê-lo outra vez.

Seu Jeans estava imundo, caminhava carregando várias coisas, mas chamava muito a atenção porque usava um longo manto nas costas, feito com várias sobras de calças jeans amarradas com pedaços de sacolas plásticas. Parecia uma obra do Bispo do Rosario. Era uma linda capa, apesar de suja. Foi pensada como arte, porque comunica alguma coisa importante a todos que têm a sorte de encontrá-la.

Também vi na mesma semana um motoqueiro que levava agarrados a sua moto centenas de bonequinhos de plástico, miniaturas de personagens infantis. Pa mi gustito, este não tinha tanta graça. Era mais uma obsessão de colecionista que deseja apenas chamar a atenção para sua mania de juntar bonequinhos.

O manto do Seu Jeans toca mais fundo, deve ser porque foi feito com dois ícones da cultura de massas do nosso tempo: o jeans e as sacolas plásticas.



Para conhecer um pouco mais sobre aobra de Arthur Bispo do Rosário, visite estes sites: Imaginário Poético & Art planet.
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