30.9.11

5 coisas que "eu já"


"Qual a coisa mais importante da vida? A vida." J. Caetano

1. Perdi um par de brincos de ouro num hotel de Bilbao. Eram lindos, discretos, perfeitos. Presente de Natal de mami. Só me dei conta de volta à casa, tinha deixado sobre a mesa de cabeceira ao dormir. Liguei, perguntei: ninguém sabe, ninguém viu. Virou lembrança.

2. Meu corsinha branco, o floquinho de neve, estava estacionado em frente ao prédio em que morava no Rio. Nunca o deixava por aí, mas neste dia passei, vi uma vaga, pensei "que sorte" e estacionei. Enquando via tv ouvi um barulhão de batida. Corri para a janela e o pobre floquinho estava imprensado entre dois carros. Um louco perdeu a direção e acertou em três de uma vez. Porque ser econômico nesta hora? Já que é para bater, vamos bater direito. Foi uma noite inesquecível, com direito a longa espera em delegacia de Copacabana. Seguro é bom, paga tudo, mas dá um trabalho...

3. Floquinho de novo. Morava em Copa, num prédio sem garagem. Às vezes passava horas procurando vaga. Um dia, depois de dar 500 voltas, achei uma microvaga; fiquei em dúvida, mas o saco já estava cheio e estacionei a duras penas. Para sair do carro, tive que respirar fundo porque o espaço era mínimo pelos dois lados. No dia seguinte, encontrei floquinho com vários arranhões feitos com uma chave. Logo depois consegui alugar uma vaga num edifício garagem. Não guardo rancor, mas tem gente má, muito além de má, perversa e totalmente sem noção.

4. Ganhei uma caneca de chá linda de uma amiga querida. Era de porcelana bem fininha, com desenhos delicados. Em casa pensei: porque só uma? Se fosse dar este tipo de presente, compraria duas: um chazinho bem acompanhada é sempre melhor. Então resolvi levá-la para o trabalho, lugar em que bebia chá sozinha. Deixei na mesma sacola em que estava, com papel de presente e tudo. Desci do taxi distraída e a sacola caiu no chão. Sobraram mil cacos e uma lição: as coisas, são apenas coisas, mas às vezes sentem nossa vibe, oh yeah... pode crer bicho!

5. Esqueci os óculos de sol Ray Ban na pia do banheiro em algum lugar de São Paulo... Ou foi em Belo Horizonte? Voltei cinco minutos depois e ainda estavam lá. Milagres acontecem, mas comigo acho que milagre de óculos foi só este mesmo. Já perdi vários, já perdi as contas, já nem me lembro como nem onde. Hoje preciso usar óculos para tudo, já faz parte do corpo. Já tenho o hábito de ter mais de um. Já sou macaca velha... e com óculos, claro.

"As coisas mais importantes na vida não são coisas."
Anthony J. D'Angelo

E você, "também já"?

27.9.11

la quiniela



"Hemos acertado 7 en una columna y 7 en otra, que suman 14, pero no nos sirve. Ha acertado mucha gente, y tampoco nos interesa ganar cuando hay tanta gente."

Filosofía sobre los juegos de azar futboleros de A., una persona muy rara y divertida en sus estrambóticos racionamientos sobre la vida y las cosas de la vida.

22.9.11

dona sinhá moura



::: Devorei o Memorial de Maria Moura em menos de uma semana enquanto estava lá pelas mallorcas. Fazia tempo que não lia um livro tão intenso, com personagens fortes e bem definidos. Fiquei com pena de chegar à página 489. Deixou um gosto de quero mais.

::: Verdade seja dita: é um livro facico de ler, sem muitas dificuldades.

::: Foi escrito em 1992 e Rachel de Queiroz tinha 82 anos ao lançá-lo. É leitorin e leitorinha, 8.2 com motor turbinado.

::: Logo depois a tv plim-plim fez uma das melhores miniséries da televisão brasileira, com um elenco nota 10 e locações muito bonitas. Não me lembrava ter assistido todos os capítulos, mas descobri que a série está inteirinha no iutubi, e como dizem os mineiros, é tudin mes!

::: Que beleza a tal da internet. Às vezes fico encafifada e me pergunto: quem são estas pessoas que sobem tantas coisas legais para o iutubi?

::: Por falar na Moura, a Glória Pires encarnou de tal forma a personagem, que só me lembrava dela enquanto lia as façanhas da Dona Sinhá!

::: É sabido que Rachel de Queiroz não aprovou a versão da tv plim-plim. Exigiu que fosse considerada uma adaptação livre. Bom, pra mode aceitar, recebeu uma boa compensação pra lá de compensatória: embolsou 60 mil doletas cash pelas libertinagens narrativas do adaptador. E as doletas nos anos 90 tinham outra cor, como sabe vosmicê.

::: Depois de devorar o Memorial, o tio Gugol me contou que Rachel de Queiroz também escreveu um livro de memórias chamado "Tantos anos". Já está na lista de espera. Ela morreu em 2003, aos 93. Que mulher!

15.9.11

philippe petit & as torres









Mais uma vez tivemos que recordar os acontecimentos de 11 de setembro de 2001. São 10 anos sem as torres. É inevitável fugir das lembranças do atentado, de tudo o que vimos e sentimos, críticas à cobertura jornalística à parte. Evidentemente existe muita coisa pior no mundo para ser lembrada. Como historiadora, vejo este acontecimento por outro prisma. Acredito que no futuro o atentado das torres poderá ser lembrado como o primeiro sinal do fim de um ciclo de poder. Talvez seja visto como o prelúdio da crise, da mudança de paradigma econômico, de uma nova configuração do poder mundial. Na última década, os EUA mudaram, e com ele, mudou o mundo, mas ainda é cedo para entender as consequências destas mudanças.

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Não tinha visto "Man on wire", filme sobre o artista funambulista Philippe Petit. Este documentário conta como foram os preparativos para a atuação de Petit no World Trade Center de Nova York em 7 de Agosto de 1974. Petit ficou 45 minutos equilibrando-se num cabo de aço. Foi uma das atuações mais lindas e arriscadas que um ser humano pode fazer. Aquilo, sem sombra de dúvidas, foi um ato artístico. Arte em estado puro.

Além da emoção de ouvir Petit e os participantes da sua equipe contarem os detalhes desta irrepetível façanha, fiquei muito impressionada com as imagens das torres gêmeas, do final de sua construção e de como era Nova York assim que elas começaram a fazer parte do skyline da cidade.

Que grandiosidade e potência de edifícios. Que trauma para toda uma cidade a perda deste símbolo. A presença invisível das torres ficará ali para sempre, aconteça o que acontecer.

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Encontrei no Youtube esta linda animação: "The Man Who Walked Between the Towers" (2005) que conta de forma poética a aventura de Petit.




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Esta é minha pequena homenagem aos que se foram naquela manhã de 11 de setembro de 2001.

13.9.11

olha o breque



Que paradeira aqui neste blog, né? Acontece que... Bom, nem vou me desculpar.

É só um breque, porque há, do verbo existir, vários posts engatilhados. Estão quase, praticamente, nos conformes! Só falta pouco, muito pouco mesmo!
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